Diário de Notícias - 15 Mai 05

 

Doméstica, por opção!

 

Bárbara. Tem cinco filhos, junta-se o da empregada, já é da família

 

A família é uma comunidade, um espaço de entreajuda, e essa componente vai-se perdendo nas famílias pequenas. Os irmãos e os laços entre eles são a melhor coisa que posso deixar aos meus filhos, para que constituam famílias com laços fortes." Bárbara Falcão é a mãe em causa, tem cinco filhos, entre os 15 e os quatro anos. É "doméstica".

Quando nasceu o Zé Maria, o mais novo, de quatro anos, Bárbara, então com 42, percebeu que já não dava para conciliar a profissão com as necessidades da família. "Trabalhava em decoração e gestão de stocks, não tinha horários fixos, o Bernardo, o mais velho, tem dislexia e precisava de acompanhamento especial, o que representava 350 a 400 euros por mês." Feitas as contas, o salário esgotava-se nos extras empregada interna, colégios, médico e actividades.

Entretanto, uma série de problemas no privado levou a que Bárbara colocasse os filhos no ensino oficial. "Só tinha o Bernardo e a Mariana, de 13 anos, e não pensava que iam para o ensino público, mas a verdade é que os pais não têm formação para escolher as escolas e irem para o oficial foi a melhor coisa que fiz", explica a mãe. Nasceram depois, a Bárbara (9 anos), a Mafalda (7) e o Zé Maria.

Quando Bárbara Falcão deixou o emprego, a empregada interna passou a trabalhar só dois dias e ela transformou-se num motorista, com muitos quilómetros entre as escolas, os tempos livres, as actividades extracurriculares, a catequese e os escuteiros. Uma canseira, para quem a observa, uma questão de organização, para ela. "De início, sentia-me frustrada ao fim do dia. Não fazia as coisas que imaginava antes de regressar a casa". Depois, adaptou-se e não tem pena de deixar o trabalho. "Foi uma opção amadurecida", diz. E tem prazer em escrever nos questionários "doméstica". Por provocação.

Bárbara Falcão tem o 4.º ano de Economia e faz parte das associações de pais das escolas dos filhos. Começou a dar explicações de matemática e pensa voltar a trabalhar. Nem que seja como voluntária!

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