O artigo da polémica
Monica Contreras e Rosa Pedroso Lima
A
NOTÍCIA publicada pelo EXPRESSO na última edição, sobre os conteúdos dos
manuais escolares para docentes, contendo sugestões de conteúdos e
exercícios para os alunos em matéria de Educação Sexual, provocou uma grande
polémica e uma série de reacções (além destas páginas, ver também cartas na
pág. 14). O artigo em causa tomava como ponto de partida, recorde-se, que os
referidos manuais e o programa de Educação Sexual nas escolas estão a ser
questionados por pais, professores e especialistas.
Esses manuais estão em circulação, como se pode comprovar pela página na
Internet da Associação para o Planeamento Familiar, onde estes livros
constam do vasto leque de materiais didácticos
«distribuídos pela APF» (www.apf.pt).
Esta bibliografia é sugerida no livro
Educação Sexual em meio escolar - Linhas Orientadoras, publicado
pelos ministérios da Educação e da Saúde, em 2000, de que é co-responsável
(assinando na capa) a própria APF. O director da associação, Duarte Vilar,
faz igualmente parte da equipa de redacção do livro, enviado para todas as
escolas do país.
Quanto às imagens publicadas (como o desenho da página 16 desta edição),
foram retiradas de manuais espanhóis destinados a professores e alunos, da
autoria de Harimaguada e citados na já referida bibliografia. Essas obras
são acompanhadas nas Linhas Orientadoras
por referências elogiosas ao trabalho desenvolvido pela equipa
que as aplicou numa experiência de implementação da Educação Sexual na
escola, realizada no Arquipélago das Canárias. O documento oficial considera
mesmo que este «conjunto de obras tem-se
revelado, também no nosso país, um recurso muito útil, sobretudo pela sua
manuseabilidade e pelas fichas disponibilizadas».
Finalmente, e em relação à aplicação destes materiais pedagógicos nas
escolas portuguesas e à obrigatoriedade do ensino da Educação Sexual, a APF
revela no seu último relatório de actividades que
«muitas escolas estão já envolvidas em
acções». No documento lamenta-se que
«direcções de escola muitas vezes desconheçam uma legislação que as
obriga a incluir a educação sexual nos seus projectos educativos e nos
planos curriculares das turmas».