Um grupo de pais
decidiu no domingo criar um
movimento para mobilizar os
encarregados de educação contra a
«forma como a educação sexual nas
escolas tem vindo a ser ministrada».
O Movimento de
Pais (Move) surgiu na sequência de
uma notícia publicada pelo EXPRESSO,
no dia 14, que afirmava que o plano
de educação sexual nas escolas
«propõe aos professores exercícios
para crianças de 10 e 11 anos tais
como colorir as partes do corpo que
gostam que sejam tocadas».
As novas
orientações são da responsabilidade
dos ministérios da Educação e da
Saúde e estão «a provocar acesa
polémica entre os educadores»,
referia ainda a notícia. Ainda
assim, o Ministério da Educação
esclareceu que não existe um
programa curricular de educação
sexual e que as escolas têm
autonomia para decidir como abordar
o tema, tendo por base o projecto
educativo dos respectivos
estabelecimentos de ensino.
Os
esclarecimentos não serenaram o
Move, que reiterou a sua preocupação
face à situação da educação sexual
nas escolas portuguesas. Por isso,
apela a todos os encarregados de
educação para exporem a sua
indignação «pelo que está a
passar-se nas escolas, sem o seu
conhecimento nem consentimento».
Em comunicado, o
Move apela ao Governo para suspender
todos os protocolos com a Associação
para o Planeamento da Família (APF)
e investigar todo o material e
acções por esta produzidos. A par,
pede aos pais ligados a partidos
políticos, independentemente da sua
ideologia política, e aos que
exercem funções na comunicação
social que se unam a fim de defender
os filhos «de quem os quer
catequizar sem o seu conhecimento ou
consentimento».
O apelo é também
dirigido às diversas associações de
pais, de família e outras, para que
adiram ao movimento e ajudem na
divulgação e recolha de assinaturas
da petição. Na petição na Internet (peticao.stop.to),
já com 6911 assinaturas, o grupo de
pais manifesta repulsa «pelo
conteúdo dos programas de educação
sexual promovido pelo Ministério da
Educação em colaboração com a APF»
e exige a imediata suspensão do
programa.
O grupo reclama
também uma investigação no seio do
Ministério da Educação para
responsabilizar os autores e
cúmplices do programa, a
identificação pública e a auditoria
a todos os programas de colaboração
entre o Estado e a APF, incluindo
verbas envolvidas, objectivos e
resultados conseguidos. Os autores
da petição querem igualmente que
sejam identificados os alunos que já
foram expostos a este programa e que
o Ministério da Educação apresente
um pedido formal de desculpas a cada
um dos seus pais.
Por último,
exigem a criação de uma comissão que
inclua as associações de pais
oficialmente reconhecidas como tal,
para que seja analisado e concebido
um programa adequado de educação
sexual nas escolas.
A APF já rejeitou
qualquer responsabilidade no plano
de educação sexual em curso nas
escolas e nos materiais a que o
EXPRESSO se refere. Os responsáveis
defenderam ainda a preservação da
«intimidade e da privacidade dos
jovens em matéria de sexualidade».
Num comunicado, a APF disse também
desconhecer «por completo a
existência de qualquer programa
oficial de educação sexual que
esteja a ser aplicado nas escolas».