O movimento "Mais Vida, Mais Família" reuniu-se hoje com o grupo
parlamentar do PCP a quem apresentou uma petição "a favor da vida" com
125 mil assinaturas, no âmbito da discussão parlamentar sobre o aborto
que irá decorrer na próxima quarta-feira na Assembleia da República.
O movimento pede ao Parlamento e ao Governo que aprovem o reforço
da protecção da vida, um regime legal de protecção jurídica de cada ser
humano na sua fase embrionária, iniciativas legislativas de promoção da
família e medidas concretas de defesa da vida e da dignidade de cada ser
humano, em particular de apoio à mãe grávida em dificuldade e ao
recém-nascido.
O documento foi entregue por vários elementos do movimento, entre os
quais Pedro Líbano Monteiro, para quem "esta foi uma petição
praticamente clandestina, porque não foi divulgada por ninguém, nem teve
qualquer divulgação pela comunicação social".
"Mesmo assim a petição conseguiu reunir, no espaço de um mês, mais de
125 mil assinaturas de pessoas anónimas, o que demonstra a força e a
vontade dos portugueses", adiantou.
A este propósito, comparou com iniciativas semelhantes de grupos que têm
diferentes posições sobre a IVG e que, apesar de terem mais divulgação,
não reuniram tantas assinaturas.
Para Pedro Líbano Monteiro, esta é mais uma surpresa numa matéria que,
aquando do referendo sobre a despenalização do aborto, surpreendeu os "bem-pensantes".
Sobre a legislação em vigor, Teresa Aires de Campos, igualmente do
movimento "Mais Vida, Mais Família", disse que esta "é uma discussão de
propostas de lei que visam piorar uma lei que já não é perfeita", numa
referência às excepções para a IVG com que o movimento não concorda.
Para o movimento, "o importante é mudar a mentalidade das pessoas e que
esta se reflicta na lei". "Todas as vidas são positivas", disse,
acrescentando que "uma coisa que é intrinsecamente má [o aborto] deve
ser punida por lei".
Do encontro de hoje com o PCP, o movimento salientou o conhecimento que
os comunistas demonstraram sobre a matéria e frisou a abertura dos dois
lados - entre o partido e o movimento - no sentido da construção de
soluções a partir dos pontos comuns que levem à tomada de medidas
concretas.