Público - 2 Mar 04

Governo Quer Pôr Portugueses a "Mexer-se"
Por MARIANA OLIVEIRA

"Mexa-se" é o slogan do Programa Nacional de Promoção da Actividade Física e Desportiva (PNPAFD), que o secretário de Estado da Juventude e Deportos, Hermínio Loureiro, apresentou, ontem, no Porto. O objectivo principal do projecto é combater o sedentarismo e mobilizar a população portuguesa para a prática regular de actividade física. Com o lema, "Não fique parado. Pela sua saúde", o Governo realça ainda os benefícios do desporto na qualidade de vida e no bem estar dos cidadãos.

Segundo Hermínio Loureiro, apenas 23 por cento dos portugueses praticam exercício com regularidade. "Somos um país com taxas de sedentarismo preocupantes quando comparadas com os restantes países da União Europeia", avalia José Constantino, presidente do Instituto do Desporto de Portugal. "É imperativo", acrescenta, "investir em programas como estes, que além de reduzirem a morbilidade, diminuem os custos com a saúde e têm um impacto positivo na economia do país".

Ao citar estudos estrangeiros - que comprovam que cada euro gasto na promoção da actividade física representa uma redução de 4,9 euros nos custos do absentismo laboral e de 3,4 euros nos cuidados de saúde -, Constantino salientou que é imperativo diminuir o sedentarismo. "Estes programas não se traduzem num dispêndio de dinheiro, devendo ser encarados como um investimento. São o mais barato instrumento de saúde pública", reforçou.

O projecto, com um orçamento de 500 mil euros para 2004 - Ano Europeu da Educação pelo Desporto, conta com as autarquias como eixo prioritário. "São elas que detêm o maior poder de intervenção junto das populações, quer pelos meios à sua disposição, mas sobretudo pelo conhecimento e interacção com as forças vivas de cada concelho", lê-se no documento de apresentação do PNPAFD. Por isso mesmo, a estratégia do Governo é mobilizar as autarquias para a elaboração de programas concretos nesta área.

Os clubes desportivos, visto como "agentes de saúde pública", também são encarados como parceiros de relevo no "incremento da formação desportiva" e "no aumento da oferta de actividades para adultos e idosos".

Durante a cerimónia, foi assinado um protocolo com quatro faculdades de ciências do desporto, que deverão fazer o acompanhamento técnico-científico do projecto, nomeadamente acções formativas aos diversos agentes locais. As Universidades de Coimbra, do Porto, a Técnica de Lisboa e a de Trás-os-Montes e Alto Douro são as instituições associadas ao programa.

"Estamos a assistir a uma fase de mudança em todo mundo, as formas laborais passaram a descurar a actividade física, dando relevo à actividade mental. Isto representa um grande perigo para a saúde pública, tanto na vertente da inacção física como na da obesidade", referiu Olímpio Bento, presidente do conselho directivo da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, da Universidade do Porto.

O secretário de Estado da Juventude e Deportos sustentou que alterações de hábitos como esta não se fazem com medidas avulsas, nem de um dia para o outro. "É preciso um plano estratégico que não seja perturbado pelos ciclos eleitorais. Por isso é que apresentamos um programa a 10 anos", completou Hermínio Loureiro, ao referir que espera que, até 2006, o "Mexa-se" esteja a funcionar em todas as autarquias do país.

O sedentarismo em números
Mais de 2 milhões de mortes atribuídas à falta de exercício*

60 a 80 por cento da população mundial não é suficientemente activa*

61 por cento dos portugueses com mais de quinze anos não dedicam sequer uma hora por semana à prática desportiva

Fonte: Organização Mundial de Saúde e Comissão Europeia

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