Público - 4 Mar 04
Ministro da Educação Quer Exames Nacionais no 6º Ano
Por ISABEL LEIRIA
O ministro da Educação anunciou ontem a intenção de vir a criar provas
nacionais no 6º ano, à semelhança do que já foi decidido para o 9ºo. "Se a
proposta de Lei de Bases da Educação for aprovada, é natural que na
passagem do novo ensino básico [do 1º ao 6º ano de escolaridade] para o
secundário haja também exames nacionais", afirmou David Justino, durante a
apresentação dos resultados das provas de aferição de 2003.
Em relação aos exames nacionais do 9º ano, que serão realizados já em
2004/2005 a Matemática e Língua Portuguesa, está por definir qual será o
seu peso na nota final das respectivas disciplinas. É que se a lógica que
presidiu à criação destes testes no 12º ano (1995/1996) será a mesma, os
critérios poderão ser outros.
"Estamos ainda num processo de concepção", afirmou David Justino, que
reforçou a ideia: "Mesmo que não alterássemos a organização do ensino, tem
todo o sentido fazer exames na passagem de um ciclo para o outro, pelo que
é sempre possível criá-los no 6º ano".
A avançarem as propostas do ministro, na melhor das hipóteses, as provas
de aferição passarão a existir apenas no 4º ano. É certo que no próximo
mês de Maio - ao contrário do que aconteceu em 2003, em que os testes
foram realizados por uma amostra de alunos -, todos os estudantes do 9º
vão fazer estas provas, que são anónimas e não contam para a nota.
O seu objectivo é permitir "testar a logística, os conteúdos e dar
indicações preciosas para a definição definitiva do regulamento dos exames
do 9º ano", explicou David Justino. A partir de 2005, desaparecem as
provas aferidas neste ciclo de ensino (bem como as globais) e o mesmo
acontecerá para o 6º ano se forem criados exames nacionais.
Médias nacionais "não são credíveis"
Os resultados das provas de aferição dos últimos três anos "não são
significativamente diferentes e os problemas de fundo detectados são
praticamente os mesmos". O diagnóstico foi feito por David Justino que,
juntamente com vários elementos do Departamento de Educação Básica, fez
ontem a apresentação de um estudo comparativo do desempenho dos alunos dos
4º, 6º e 9 anos, a Matemática e Língua Portuguesa, ao longo de 2001, 2002
e 2003.
No entanto, ao contrário do que aconteceu em relação ao primeiro ano de
aplicação das provas e do que consta do relatório dos serviços do
Ministério da Educação (ME) para 2002, não foram apresentadas quaisquer
médias nacionais. "As provas foram concebidas de forma a que os resultados
não sejam estatisticamente comparáveis e essa decisão não foi minha. As
médias nacionais que foram divulgadas para 2002 não são credíveis",
sustentou o ministro.
Assim sendo, o ME limitou-se a fazer a comparação por competências e
níveis de desempenho. Um dos dados evidenciados é que os alunos do 4º ano
obtêm sistematicamente melhores resultados do que os colegas do 6º e do
9º, sendo o 2º ciclo aquele em que as dificuldades parecem maiores.
"A falta de articulação entre ciclos é um problema que está identificado
desde o final da década de 80 e que só se pode resolver com uma reforma
estrutural. Eu espero que a nova Lei de Bases da Educação venha resolver
alguns", defendeu David Justino. [anterior] |