Público - 5 Mar 04

Portugueses Continuam a Acreditar Que Os Condutores Perigosos São Os Outros
Por J.F.C.

Os condutores portugueses melhoraram a sua percepção do risco na estrada, mas continuam a acreditar que o grande perigo ao volante são os outros. Os portugueses querem também mais rigidez na aplicação do código da estrada e afirmam ser pouco fiscalizados, revelam os resultados preliminares de um mega-estudo europeu ontem divulgado em Lisboa.

O estudo Sartre, apresentado pelo sociólogo Paquete de Oliveira no workshop Segurança rodoviária - Uma perspectiva de mudança, mostra que desde 1997 "que os portugueses evoluíram positivamente na interiorização da percepção de risco".

Os 1025 inquiridos a nível nacional consideram que o álcool, a velocidade excessiva e o uso do telemóvel são os três principais factores para o risco de acidente. No entanto, poucos reconhecem conduzir sob o efeito de bebidas alcoólicas (30 por cento), enquanto que 64 por cento reconhece ultrapassar os limites de velocidade nas autoestradas e 30 por cento nas áreas urbanas, resultados sempre superiores aos da média da UE e dos seis países europeus que não pertencem à comunidade e foram alvo deste inquérito.

Curiosamente, em Portugal, não é nas autoestradas que os condutores mais violam as regras da velocidade, mas sim no interior das localidades.

Os portugueses continuam a acreditar que o grande perigo na estrada são os outros: 90 por cento diz que são os outros condutores que ultrapassam o limite de velocidade a conduzir, mas apenas 32 por cento reconhece conduzir mais devagar do que os restantes. Também mais de 70 por cento admite que a sua condução é menos perigosa.

Há no entanto dados muito positivos quanto à utilização do cinto de segurança

Em Portugal, quando comparados com o estudo Sartre anterior, concluído em 1997: 81 por cento utilizam o cinto (mais seis por cento do que no estudo anterior) e 83 por cento admitem que ele é indispensável a uma condução cuidadosa (mais 21 por cento), apesar de quase 90 por cento temer ficar preso em caso de acidente.

O estudo revela também uma maior necessidade de controlo e fiscalização. Os portugueses, em relação à media da UE e dos outros países europeus estudos, são os que se sentem menos fiscalizadas e exigem mais controlo do cumprimento das leis de trânsito, bem como o agravamento das penas para o excesso de álcool e de velocidade.

[anterior]