Diário de Notícias - 5 Mar 04
Oito maternidades podem ser encerradas
JOÃO FONSECA
Oito maternidades, sobretudo do interior do País, poderão ser encerradas,
admite o presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal. A
hipótese é justificada por Albino Aroso com o reduzido número de partos
registados nessas unidades, o que, sublinha, põe em causa a qualidade do
serviços.
Bragança, Chaves e Mirandela, em Trás-os-Montes, Lamego, Guarda, Covilhã,
Castelo Branco e Figueira da Foz, na Região Centro (onde se mantém em
funcionamento treze unidades) são, nesta perspectiva, hospitais que podem
ver as suas maternidades encerradas, uma vez que registam taxas médias de
partos iguais ou inferiores a dois por dia.
Embora reconheça esta como uma «medida politicamente desagradável», aquele
responsável sustenta que resultará em benefício para as populações, uma
vez que não é possível garantir uma assistência qualificada em hospitais
com médias de um ou dois partos por dia.
«A qualidade depende de vários factores, mas a experiência e a casuística
são muito importantes», defende Albino Aroso, considerando que aqueles
índices não permitem nem uma nem outra coisa. Além disso, explica, não faz
muito sentido manter serviços de urgência durante 24 horas por dia para
assistir apenas um parto. No entanto, garante, o aspecto económico da
questão não se sobreporá à avaliação de qualidade dos serviços.
Há dez ou 15 anos, lembra este responsável, a natalidade no interior de
Portugal era, apesar de tudo, superior e, além disso, não havia os meios
de comunicação e transporte que existem hoje.
Mas o mesmo especialista também assegura que apenas poderão ser encerradas
as unidades para as quais existam alternativas capazes de garantir
qualidade de assistência, com acessos rápidos e seguros e que representem,
por isso, uma melhoria da assistência.
Albino Aroso, que falava após uma reunião com a Comissão Regional da Saúde
da Mulher e da Criança da Zona Centro, em Coimbra, sublinha que «nada
disto está ainda definido, mas apenas em fase de discussão» e que, quando
e se disso for caso, a comissão a que preside formulará as propostas, cuja
eventual aprovação será da competência do ministro da Saúde.
A criação de «redes de diferenciação» é outra hipótese admitida por Albino
Aroso. Uma possibilidade que se justifica pela necessidade de evitar
reduzidos «índices de casuística» nas diferentes unidades para melhorar a
sua capacidade de resposta. Isto porque, sustenta, «há casos tão raros»,
que não faz sentido haver mais que uma ou duas unidades especializadas no
País. [anterior] |