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Correio da Manhã - 19 Mar 04
Dia do Pai
SE APARECER
MAIS UM FILHO SERÁ BEM-VINDO
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| O crescente
número de divórcios em Portugal e a política fiscal são duas
das muitas ameaças à família, podendo algumas ser combatidas
com diálogo e amor entre pais e filhos. Mas não só.
Importante também é a solidez da relação entre marido e
mulher. É assim que Fernando Castro, presidente da
Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) entende a
família e ele sabe do que fala. Os seus 13 filhos deram-lhe
autoridade na matéria e muita experiência. Deixa hoje, Dia
do Pai, uma mensagem para todos os filhos: "amem as vossas
mães". |
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Tiago Sousa Dias |
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Fernando Castro, presidente da Associação Portuguesa
das Famílias Numerosas, tem 13 filhos, com idades
que variam entre os 2 e os 30 anos |
Orgulhoso com a
sua prole - 13 filhos com idades entre os 2 e os 30 anos e
um quinto neto a caminho - Fernando Castro, 51anos, diz: "Se
aparecer mais um filho, será bem-vindo".
"A família é o útero da sociedade e não há filhos se não
houver pai nem mãe. O crescente número de divórcios no nosso
país, que resulta da falta de estabilidade na relação do
casal é o maior problema que enfrentam as famílias hoje em
dia", afirma.
Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE)
indicam que a taxa de divórcios em Portugal tem vindo a
aumentar nos últimos anos, com uma média de 19 173
separações por ano, com uma taxa de 1,2 para 1,8 divórcios
por mil habitantes entre 1992 e 2001.
Outro dos problemas é a carga fiscal. "Em vez de dar
incentivos para combater a diminuição e envelhecimento da
população o Estado incentiva ao divórcio. Dá-se mais
vantagens fiscais a um casal na compra de uma salamandra,
para fazer uso das energias renováveis, do que ter um
filho", critica o presidente da APFN. A dedução é até 30 por
cento da despesa da salamandra com um limite de 700 euros.
Outra vantagem aliciante para o divórcio é a possibilidade
de o casal poder deduzir no IRS até 8000 euros da pensão de
alimentos.
INCENTIVOS AO DIVÓRCIO
Estes "incentivos ao divórcio" já deram resultados. Vários
casais viram-se obrigados a divorciarem-se e continuarem a
viver em família para não terem agravamento fiscal. "Tudo
isto leva à destruição da família", comenta Fernando Castro.
Os comportamentos de risco são outros factores que destroem
a família, desintegram-na. Droga, álcool, delinquência. Como
combater? "Com firmeza e solidez na relação entre o casal.
Tem de haver coerência na forma de educar e a prevenção dos
comportamentos de risco passa por um conjunto de valores que
devem ser transmitidos aos filhos", refere.
Não é fácil ser pai nem mãe. Ser filho também não, dirão
outros. Por isso é que surgiram as escolas de formação de
pais. São sessões, num total de 12, em que pais e mães falam
das suas experiências e dificuldades.
Em Portugal existem cerca de 300 mil famílias com três ou
mais filhos, na classificação de "família numerosa", o que
corresponde a 7 por cento do total das famílias portuguesas
e a 26 por cento das crianças e jovens.
Portugal tem um défice de 50 mil nascimentos por ano, ou
seja, não chegam a nascer seis crianças por hora. "Os
portugueses estão preocupados porque morrem em média três
pessoas por dia nas nossas estradas, mas deviam preocupar-se
também com a falta de nascimentos", argumenta Fernando
Castro.
“DESPESAS ESCOLARES SEM VERBA MÁXIMA NO IRS”
Os pais que têm os filhos na escolaridade mínima obrigatória
deviam poder declarar no IRS todas as despesas escolares e
não terem um valor-limite para essa declaração, que
actualmente não pode ultrapassar os 500 euros, defende ao CM
Albino Almeida, presidente da Confap – Confederação das
Associações de Pais.
“Em 1997 assinámos um protocolo com o ministro da Educação
que garantia aos pais o direito de declarar às Finanças as
despesas escolares dos filhos. Ficou estabelecido que essa
declaração teria um ‘plafond’ máximo de 500 euros, mas
defendemos que não devia existir, principalmente para os
casais que têm mais do que um filho a estudar”, acrescenta
Albino Almeida.
Este representante nacional dos encarregados de educação
sublinha esta pretensão com o facto de que muitas vezes os
pais vêem-se obrigados a comprar livros para os filhos mais
novos porque os manuais escolares deixaram de servir de um
ano lectivo para o outro, penalizando bastante o orçamento
familiar. Albino Almeida defende ainda o não pagamento das
propinas e lembra o caso da Irlanda.
“É um país normalmente apontado pelo actual ministro da
Educação como um exemplo de sucesso escolar, em que os
alunos apresentam um elevado grau de conhecimentos e saem do
secundário e entram logo na Universidade, mas esquecem-se
que na Irlanda não se pagam propinas”, refere.
PERGUNTAS
1- Como é ser pai nos dias de hoje?
2- Concorda com a comemoração deste dia?
3- Que tipo de presentes gosta de receber?
4- Recorda-se de algum presente em especial que lhe
tenham oferecido?
5- Como vai festejar esta data?
JÚLIO ISIDRO (59 anos, apresentador de televisão)
1- Hoje é mais fácil a aproximação entre pais e
filhos, mas numa sociedade de consumo como a nossa torna-se
mais complicado porque não podemos dar às nossas crianças
tudo aquilo que elas querem. Procuro ser um pai maduro,
muito compreensivo e preocupado.
2- Já se tornou num lugar comum dizer que o dia do
pai é todos os dias, mas vale a pena continuar a comemorar
esta data.
3- Gostava que o presente fosse feito à mão e já me
constou que o vai ser.
4- Gostei muito de um porta canetas que a minha filha
Mariana me ofereceu, feito na escola com um rolo de papel
higiénico.
5- Vamos jantar fora.
JÚLIO MAGALHÃES (41 anos, jornalista)
1- É muito complicado porque como passo muito tempo
entre Lisboa e Porto acabo por não dar muita atenção aos
meus filhos, André de 11 anos e Mariana de 8. Aquilo que
também acontece muitas vezes é que quando tenho algum tempo
livre para lhes dedicar estou cansado.
2- É bom que haja um dia no ano em que possamos
celebrar esta data.
3- Gosto muito de receber presentes mas que sejam
sobretudo feitos por eles na escola.
4- Uma redacção do meu filho sobre a profissão do pai
e na qual dizia que não gostaria de ter a minha profissão
porque nunca teria muito tempo para os filhos.
5- Vou dedicar-lhes a atenção possível. Vamos almoçar
e jantar fora.
DUARTE SIOPA (42 anos, Jornalista)
1- Ser pai é ter uma grande responsabilidade. Quando
adoptei o Diogo não estava preparado nem sabia o quanto era
grande a responsabilidade de educar um filho, mas aquilo que
é importante é transmitir-lhes as melhores indicações e
dar-lhes uma boa educação.
2- O dia do pai não é todos os dias como se costuma
dizer. É um dia muito importante que deve servir para
reflectirmos e para estarmos junto dos nossos filhos.
3- Sou uma pessoa que liga aos presentes e o meu
filho oferece-me todos os anos uma lembrança.
4- Uma caneta e um quadro que pintou no ano passado.
5- Apesar de nessa data estar no Porto e de por isso
não estar com ele todo o dia, aquilo que é uma certeza é que
vamos estar juntos ao jantar.
JOÃO SOARES (54 anos, Político)
1- Não é diferente do que em qualquer outra fase da
história. Não creio que hoje haja mais riscos do que no
passado.
2- Não faz grande sentido comemorar esta data
especificamente porque o dia do pai é, como o da mãe, todos
os dias. Por isso não lhe atribuo um significado especial.
3- Sim. Os mais frequentes são os telefonemas dos
meus filhos.
4- Os telefonemas dos meus filhos.
5- Vai ser um dia como outro qualquer.
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Cristina
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