Público - 19 Mar 04

"Durma Bem, Sonhe Comigo e com Mais Ninguém"
Por B.W.

João Cortez de Lobão, 41 anos

Pai de cinco filhos

É uma família numerosa. Martim tem 13 anos, Mathilde 11, Tomás oito, Beatriz tem cinco e Catarina apenas um. Vivem em Lisboa. João Cortez de Lobão, economista, tem uma relação muito afectiva com os filhos. "Falamos, rezamos, brincamos. Comunico com todos eles", diz.

Quando chega a noite, os meninos deitam-se sem grandes dificuldades. Há muita firmeza nessa hora, revela. "Se é para ficar a brincar, chega àquela hora e vão para a cama, mas se quiserem ler têm autorização para o fazer até mais tarde." Os filhos não prescindem de um mimo antes de adormecer. "Por exemplo, a número quatro, a Beatriz, fica muito triste e não adormece com saudades. Gostam muito que a gente vá lá e faça aquelas brincadeiras: 'É a princesa do pai. Boa-noite, durma bem, sonhe comigo e com mais ninguém.' E assim vamos fortalecendo e ginasticando o ego", revela.

Em casa, João faz tudo o que é preciso fazer. "Assumo todas as tarefas: buscar [à escola], trazer, dar de comer, mudar fraldas. É preciso, faz-se. Mas não tenho muito gosto em mudar fraldas", confessa.

João não cozinha. Não tem jeito, diz. "Casei com uma boa cozinheira. Mas sou eu que trato sempre dos animais", realça.

A profissão da mulher, teóloga, fá-la estar ausente muitas noites ou fins-de-semana, em "iniciativas profissionais não remuneradas". "Não vai deixar de ir a uma conferência só porque tem cinco filhos em casa", reflecte Cortez de Lobão, acrescentando que "não há um pai perfeito sem uma mãe mais do que perfeita". "Pai e mãe são uma mesma equação", garante.

Para o economista não é complicado ficar sozinho com os miúdos. "Consigo arranjar consensos com facilidade." João recorda umas férias em família, em Biarritz. Os miúdos queriam entrar em todas as lojas e depressa lhes perderia o rasto, não fosse ter inventado um jogo militar. Em fila, os filhos marchavam enquanto o pai ditava as ordens: "Assim atravessamos a rua. 'Um, dois, esquerda, direita.' Eles todos a rir e as pessoas olhavam e deviam pensar que eu devia ser terrível, um pai militar."

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