Público.pt - 22 Mar 04

Medidas deverão ser levadas à prática entre 2004 e 2006
Durão Barroso apresenta 100 compromissos do Governo para a família

 PUBLICO.PT
com Lusa

O primeiro-ministro apresentou hoje "100 compromissos para uma política de família", um pacote de medidas que Durão Barroso pretende levar à prática "proximamente" até 2006. Entre as propostas do Executivo encontra-se o trabalho a tempo parcial na Administração Pública, a reforma parcial ou apoios às famílias que mantenham idosos em casa.

"Os 100 compromissos para uma política da família passam a ser uma orientação vinculativa para o Estado e Função Pública", explicou Durão Barroso, durante a apresentação pública do documento, no dia em que se assinala o 10º aniversário do Dia Internacional da Família. A apresentação dos "compromissos programáticos" decorreu no Teatro D. Maria, em Lisboa.

Sublinhando que o programa em causa "não contempla incentivos fiscais", o chefe de Governo explicou que tal se deve ao facto do Governo estar em sede de concertação social, para rever os "princípios basilares do sistema fiscal".

"A política de família deve fazer-se mais por prestações sociais do que por um regime geral fiscal, em que ricos e pobres não seriam diferenciados. Queremos dar mais a quem mais precisa e diferenciar as famílias mais pobres e numerosas", continuou Durão Barroso.

Para o primeiro-ministro, "a diferenciação da família faz-se no âmbito social, procurando resolver situações de maior urgência e pobreza. Esta via é melhor que a diferenciação generalizada em sede fiscal", declarou o chefe de Governo, no final da apresentação de uma centena de "compromissos programáticos", no Teatro D. Maria.

Porém, Durão Barroso sustenta que "o Estado e o Governo nada poderão fazer se não tiverem a ajuda das pessoas e da sociedade". "O essencial tem de passar pelos valores que se transmitem às crianças na infância, valores como o respeito e o carácter", disse.

Assegurando que estes compromissos se destinam a todos os tipos de famílias, incluindo as monoparentais e as uniões de facto, o chefe de Governo avançou algumas das medidas do pacote.

Entre elas está o apoio às famílias que mantenham os idosos em casa, a aprovação do regime jurídico da reforma parcial (que permitirá que as pessoas se reformem mais cedo, embora recebendo menos) e a adopção de medidas que permitam o trabalho a tempo parcial na Administração Pública, por forma a permitir que os pais possam dedicar mais tempo aos seus filhos.

O pacote inclui também a prioridade às crianças no acesso às creches nos casos em que pais estejam a trabalhar, a redução do custo dos manuais escolares e a possibilidade da sua reutilização. A promoção de formação credenciada de amas e ajudantes familiares, a criação de Bancos de Voluntariado (para promover o voluntariado de apoio à família), a introdução da tarifa familiar de água e a melhoria das acessibilidades (tendo em atenção as pessoas com deficiências, idosos e equipamentos destinados a crianças) são outras medidas previstas.

De acordo com um comunicado do Ministério da Segurança Social e do Trabalho é também intenção do Governo criar incentivos para a contratação de mulheres desempregadas nos 12 meses seguintes ao termo da licença da maternidade, criar Centros de Noite para idosos e promover o mecenato familiar.

O documento hoje divulgado publicamente realça ainda que os compromissos assumidos pelo Governo têm em conta aspectos como a conjugalidade e parentalidade, infância, juventude e velhice, e ainda as questões relacionadas com trabalho e lazer.

Na apresentação do documento estiveram também presentes o ministro do Trabalho e da Segurança Social, Bagão Félix, o ministro da Cultura, Pedro Roseta, e o ministro-adjunto do primeiro-ministro, José Luís Arnaut.

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