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Ecclesia - 23 Mar 04
As famílias portuguesas vão ser mais protegidas
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O Primeiro-ministro, Durão Barroso, apresentou nesta segunda-feira o
plano "100 compromissos para a Família", que pretende combater a
exclusão dos mais velhos e criar facilidades para as famílias em que
o pai e a mãe trabalham. Os Compromissos recolhem as sugestões do
Conselho Consultivo para os Assuntos da Família (www.familia.gov.pt),
que tomou posse em Maio do ano passado e junta várias associações de
família, para um plano de política global para esta área. As
propostas foram entregues ao Governo, em Dezembro, e Margarida Neto,
Coordenadora Nacional para os Assuntos da Família, assegura à
Agência ECCLESIA que "a maior parte delas estão no novo documento".
"Eu sei o trabalho que deu colocar 100 medidas aqui, mesmo se alguns
dizem que não passam de intenções. Isto levou meses e era uma
prioridade", referiu. Estes Compromissos são considerados pela
Coordenadora Nacional para os Assuntos da Família como "um ponto de
partida" para o seu trabalho, que passa por implementá-los.
Margarida Neto quis deixar claro que "esta é a primeira vez que um
Governo se pronuncia sobre família, conjugalidade e parentalidade" e
que estes Compromissos "são para a sociedade em geral e não só para
o executivo". Do documento ressaltam, desde já, algumas
preocupações, como a protecção da maternidade e paternidade, a
defesa da vida, a afirmação da responsabilidade insubstituível dos
pais na educação dos filhos, a criação de condições para uma
efectiva conciliação entre a vida familiar e a profissional, entre
outras.
FISCALIDADE
De fora das medidas anuciadas pelo Primeiro-ministro ficaram
eventuais benefícios fiscais às famílias numerosas: ao contrário da
tendência da maioria dos países da União Europeia, Portugal é o país
que tem menores deduções com despesas relacionadas com educação. O
Presidente da Associação das Famílias Numerosas (APFN), Fernando
Castro, declarou à Agência ECCLESIA não entender como é que uma
política de família "pode deixar de fora a fiscalidade". "Não se
pode esquecer o essencial: a fiscalidade serve para que o Estado
oriente a população em determinada direcção e a política fiscal
portuguesa aparece como contrária à família", assegura. Para
ilustrar esta crítica, Fernando Castro diz que a maior parte das
famílias com 2 filhos deixa de pagar impostos "desde que o casal se
divorcie". Margarida Neto admite que este domínio é importante, mas
não o considera "crucial". Ainda assim, concorda com o presidente da
APFN no que respeita aos "benefícios para o divórcio". "A reforma
fiscal que vai acontecer, num contexto mais amplo, terá de
contemplar a ideia de que a fiscalidade deve apoiar a família,
cumprindo o artigo 67 da Constituição - onde se prevê que a política
fiscal seja favorável à família", diz a Coordenadora Nacional para
os Assuntos da Família. "Este seria um passo muito importante, mas
nós chegámos até onde se podia ir de uma forma sólida, em defesa da
família", assegura.
MENOS DIVÓRCIOS
O preâmbulo do documento governamental assume que "a família
constitui uma célula fundamental e um valor inalienável da
sociedade" e que "é essencial conceber e desenvolver de forma
integrada, global e coerente uma política de família adequada que
contribua para o desenvolvimento pleno das suas funções específicas
no seio da sociedade". Nesse sentido, o executivo compromete-se em
passar da mediação familiar - área de ajuda a um casal que se quer
divorciar - para o momento anterior, em que começa o conflito e a
dificuldade. A preservação da unidade da família passa a ser
assumida como um objectivo político- o que é uma novidade-, que se
concretizará pela criação e pelo reforço do "elenco de meios
extrajudiciais em sede de mediação familiar, disponibilizando
estruturas e criando diferentes formas de apoio aos membros da
família numa lógica preventiva, de proximidade e de participação".
Margarida Neto revela que o Instituto para as Ciências da Família da
UCP está já a preparar já uma série de técnicos nesta área, "com
competências para a fase anterior" da mediação, algo que considera
"vital" num país onde a taxa de divórcios subiu 46% só em 2002. Para
o actual Governo, "a família constituiu desde sempre o espaço
privilegiado de realização da pessoa, de transmissão de valores e
inter-influências e de reforço da solidariedade entre gerações, o
que torna evidente a importância de se prosseguirem políticas que
promovam as potencialidades da família, que respondam às
necessidades existentes assegurando-se a sua realização concreta". A
Coordenadora Nacional para os Assuntos da Família vinca que "há um
caminho e há uma decisão. Agora, temos de fazer". [anterior] |