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Compromissos -
Durão apresenta orientações
“O Estado vai cumprir os compromissos”. A promessa é do
primeiro--ministro, Durão Barroso, e refere-se aos ‘100
Compromissos para uma Política da Família’, apresentados
ontem, sumariamente, no Teatro Nacional D. Maria II, em
Lisboa.
Dar prioridade às crianças no acesso às creches nos casos em
que pais estejam a trabalhar, reduzir os custo dos manuais
escolares e a possibilidade da sua reutilização, promover a
formação de amas e ajudantes familiares, criar Bancos de
Voluntariado ou promover o mecenato familiar, são algumas
das 100 promessas.
De entre os compromissos – ou “orientações vinculativas do
ponto de vista programático”, como salientou Durão Barroso –
o governante destacou os incentivos que se devem dar às
famílias “que mantêm idosos em casa”, o “fomento do
envelhecimento activo” – referindo-se às reformas parciais –
e a “promoção do trabalho a tempo parcial, nomeadamente na
Administração Pública”.
Alguns dos compromissos poderão tornar-se “medidas
concretas” e os compromissos, garantiu o primeiro-ministro,
destinam-se a todos os tipos de famílias, incluindo as
”monoparentais e as uniões de facto”.
De fora ficam quaisquer benefícios fiscais para as famílias
numerosas. “A política de discriminação positiva das
famílias numerosas deve-se fazer mais pela política de
segurança social que pela política fiscal”, frisou Durão
Barroso, perante uma plateia onde marcaram presença os
ministros Bagão Félix (Segurança Social), José Luís Arnaut
(Adjunto do primeiro-ministro) e Pedro Roseta (Cultura).
CERTIFICADO
Entre os 100 compromissos, há quatro que visam emitir
certificados para entidades consideradas ‘Amigas da Família’,
promotoras da entidade Família. São os casos das Escolas,
Empresas, Municípios e Centros de Saúde.
PORTAL
Entrou ontem em funcionamento o Portal da Família. Em
www.familia.gov.pt (Coordenação Nacional para os Assuntos da
Família) poderá consultar informação, legislação e dados
sobre assuntos relacionados com a Família.
GRATUITO
Uma das promessas feitas ontem por Durão Barroso é a
consagração do acesso gratuito das famílias aos Museus
Nacionais, Palácios Nacionais, Monumentos e outros sítios.
Mas só no Dia Internacional da Família.
A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) acusou
ontem a fiscalidade portuguesa de ser "uma das principais
causas da reduzidíssima taxa de natalidade" registada em
Portugal.
Em comunicado, a APFN cita um estudo da consultora Deloitte
que conclui que o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)
discrimina as famílias numerosas, indicando que
refrigerantes e aperitivos à base de milho pagam 5 por cento
de IVA, mas certos boiões de comida para bebé pagam 19 por
cento.
A APFN salienta que as fraldas para incontinentes pagam IVA
à taxa reduzida, mas as fraldas para bebés pagam 19 por
cento de imposto, reivindicando que sejam fiscalmente
despenalizados os casais com filhos. O documento afirma
ainda que a sexta directiva dá isenção completa de IVA, por
exemplo, no caso de venda de armamento a países da NATO mas
isenção incompleta em serviços com uma componente social.
O estudo avança sugestões para minimizar o impacto do IVA em
agregados familiares com mais filhos, designadamente um
reembolso do IVA pago em bens essenciais a partir de
determinado limite máximo ou a isenção/redução de IVA sobre
bens comprovadamente essenciais.
Edgar Nascimento |