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Menos Nascimentos e Maior
Mortalidade em 2003
Por ISABEL LEIRIA
Em 2003, nasceram em
Portugal 111.954 bebés, o que corresponde a
uma diminuição de 2,1 por cento em relação
ao ano anterior. Em contrapartida, aumentou
em 2,2 por cento o número de mortes entre a
população residente - 108.584 de acordo com
os últimos dados, ainda provisórios, do
Instituto Nacional de Esatística (INE),
divulgados ontem.
Contas feitas, o saldo
natural (diferença entre nados-vivos e
óbitos) acabou por registar um valor
positivo de 3370. Mesmo assim, o número é
consideravelmente inferior ao verificado em
2002, quando a diferença entre nascimentos e
mortes se situou nos 8125. A região Norte e
a de Lisboa tiveram os maiores saldos
positivos, enquanto o Centro e o Alentejo
apresentaram as diminuições mais
consideráveis.
O "decréscimo tendencial"
do saldo natural, em consequência da
diminuição da natalidade e do aumento da
mortalidade, levou já a Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) a
criticar, uma vez mais, o "exagerado
optimismo de todas as projecções
demográficas.
Em comunicado, a
associação refere que estes dados do INE
"desmentem claramente os pressupostos da sua
última projecção sobre envelhecimento da
população residente em Portugal entre 2000 e
2050". E apela ao Governo para que "instrua
o INE no sentido de corrigir rapidamente os
erros da sua última projecção, fornecendo ao
país a informação correcta sobre o
previsível resultado em insistir nos mesmos
erros em termos de política de família".
O estudo criticado pela
APFN foi publicado em Junho de 2003 e
alertava para o "envelhecimento continuado
da população, como consequência do
previsível aumento da esperança de vida, bem
como da manutenção de níveis de fecundidade
abaixo do limiar de substituição das
gerações [2,1 crianças por mulher em idade
fecunda]".
Só que o cenário tido
pelo INE como "mais plausível" foi traçado a
partir da evolução de um índice de
fecundidade de 1,56 para 1,71 em 2050,
"quando nada leva a pensar-se que possa
haver um aumento da natalidade, como mostra
o facto de o índice ter reduzido em 2001 e
2002", contesta a APFN. A partir destes
cálculos, o INE estimou então que, entre
2000 e 2050, Portugal perderia 9,3 por cento
da sua população.
As projecções do Fundo
das Nações Unidas para a População merecem
também o reparo da Associação Portuguesa de
Famílias Numerosas, na medida em que ocultam
os "previsíveis resultados de políticas
totalmente desastrosas que esta agência da
ONU tem vindo a promover no mundo",
acrescenta-se no comunicado.
Divórcios diminuem 20 por
cento
Em relação aos
casamentos, o ano de 2003 ficou marcado por
uma redução considerável (19,9 por cento) de
matrimónios dissolvidos por divórcio. Ao
todo, 22.185 casais residentes em Portugal
separaram-se, contra 27.708 em 2002. O
número de casamentos celebrados (53.675)
também diminuiu: menos 4,9 por cento face a
igual período do ano passado.
Quanto à população
estrangeira com título de residência,
aumentou cinco por cento. No fim de
Dezembro, eram 251.108 os cidadãos não
nacionais que moravam em Portugal. Ainda
assim, os pedidos de autorização e emissão
de títulos para este efeito (não estão
incluídos os de permanência) decresceu 27,3
por cento. Brasileiros, angolanos e
guineenses foram responsáveis pela maioria
dos 13.217 pedidos. |