Um
casal com três filhos paga quase o dobro dos impostos do
que dois divorciados com os mesmos dependentes, diz num
estudo hoje divulgado no II Congresso Europeu de
Famílias Numerosas.
Segundo o documento, um casal com um
rendimento bruto de 70 mil euros paga de impostos 10.673
euros, enquanto que se as mesmas pessoas forem
divorciadas (e o pai pagar uma pensão de alimentos de
8.121 euros por dependente) só pagam 5.632 euros de
impostos.
Isto acontece porque duas pessoas
casadas não podem declarar individualmente os seus
impostos e fazer as suas deduções em separado.
É que nas deduções fixas os casados
também só podem deduzir 182,80 euros por cada sujeito
enquanto os não casados podem deduzir 219,36 euros cada
um, refere o documento.
O estudo divulgado, feito em 2003 e
que incidiu sobre 12 países europeus, mostra que apenas
em Portugal, Bélgica e França existe a obrigatoriedade
de os casais declararem os impostos em conjunto.
Na maioria dos países analisados, as
deduções com saúde e educação incluem deduções
adicionais tendo em conta o número de filhos.
Perante estes dados a Associação
Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) reafirmou que a
fiscalidade portuguesa penaliza quem se casa e quem tem
filhos, tanto mais quanto maior for o seu número.
Por isso, a APFN aponta a fiscalidade
como principal causa da reduzida taxa de natalidade em
Portugal.
O II Congresso Europeu de Famílias
Numerosas, que se realizou em Lisboa sob o lema
"Famílias Numerosas: Primavera numa Europa Envelhecida",
terminou com a aprovação de uma Declaração.
No documento, as famílias numerosas
pedem aos governos europeus que lhes garantam o direitos
de ter filhos sem serem discriminados ou penalizados
economicamente.
Apelam ainda para que sejam dados
sinais positivos, através de medidas concretas, de
reconhecimento da contribuição da família para um
desenvolvimento equilibrado e saudável da sociedade.
A APFN, criada há cinco anos, tem
3.000 associados (com três ou mais filhos) e integra a
Confederação Europeia de Famílias Numerosas.