A mulher é no mundo a suprema
criatura. Esta tese polémica é fácil de demonstrar. Não há dúvidas
que a humanidade ultrapassa todos os entes do planeta; e na
humanidade, a mulher tem o lugar superior. Superior pela beleza,
pela sensibilidade e intuição, até pela energia e resistência. Não é
por acaso que a média da sua duração de vida é bastante maior.
Esta excelência feminina nem sempre foi reconhecida. O homem,
superior em força e lógica, tenta ofuscar a evidência. Apesar disso,
as culturas afirmam-na nas deusas da antiguidade, nas damas da
cavalaria medieval, na arte e poesia de sempre. Mas hoje precisa de
ser proclamada, porque vivemos no tempo que mais distorceu e
desprezou o lugar eminente da mulher. As dolorosas consequências
revelam-se nos nossos piores dramas.
O processo de desenvolvimento dos últimos séculos teve consequências
maravilhosas. Foi, antes de mais, um grandioso projecto de
libertação. Libertação da doença, da miséria, da tirania, da
ignorância. Mas trouxe também efeitos laterais nocivos. Um dos
piores foi levar a mulher a adoptar critérios masculinos de sucesso.
Ao longo dos milénios o papel dos sexos foi bem delimitado. A mulher
tratava do interior da vida; o lar, a educação, o consumo, a doença,
a vizinhança, a paróquia, a comunidade. Claro que ambos os sexos
sempre colaboraram, mas a mulher imperava. Os homens, pelo seu lado,
dominavam o exterior: o campo, a mina, o mar, o fórum. Aí as
mulheres eram em geral excluídas e, por isso mesmo, se descambou
tantas vezes em lutas de poder, riqueza e intriga. E na guerra, que
destrói homens e mulheres. Mas, ao menos, era ao ser superior que
estavam entregues as áreas vitais, onde a humanidade se realiza,
renova e desenvolve.
Com o progresso, a sociedade mudou e ficou fascinada com os temas
masculinos. Hoje o sucesso de todos mede-se pela economia, carreira
e política. Felizmente a mulher ganhou aí um papel de destaque,
apesar de ainda segregada. A igualdade de direitos foi uma conquista
e é uma necessidade evidente. Mas a imposição de igualdade de
funções esbate a superioridade feminina. Quando a humanidade põe a
sua confiança nos temas externos, perde de vista a identidade e o
centro da vida: amor, família, lar, felicidade. Por isso vivemos num
tempo de ambição, violência, sedução, sexo. Num tempo de machos.
Nunca os temas masculinos tiveram tanta influência.
Quando a mulher, o ser superior, se rebaixa, as consequências são
horríveis. Primeiro, o exterior determina o fundo da vida. A
economia manda na gente, a lei regula a família, a política decide
da felicidade. Como se pode considerar um progresso a mulher-soldado?
Segundo, o fundo da vida degrada-se. São hoje esquecidas e atacadas
as duas razões mais próprias da glória feminina, o encanto da
virgindade e a grandeza da maternidade. O engano é tal que vemos
mulheres apreciar como ganhos a perversão da maternidade pelo
aborto, da virgindade pela libertinagem, da família pelo divórcio.
Cedem à promiscuidade e pornografia, velhas obsessões varonis. A
promoção da homosse- xualidade baralha até os dados da natureza.
Felizmente que, apesar da tirania da opinião, grande parte das
mulheres resiste à pressão e preserva a superioridade. A virgindade
e a maternidade brilham ainda neste tempo confuso. E, juntas na
mesma pessoa, cintilam no mais alto dos céus, acima de toda a
criatura.