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Público - 01 Mar 06
Escolas públicas britânicas vão poder ser geridas por pais, empresas ou
grupos religiosos
Bárbara Wong Primeiro-ministro Tony Blair apresentou reforma da educação.
Estabelecimentos de ensino do país terão cada vez
mais autonomia
Dar mais autonomia às escolas é o
que prevê a reforma educativa do Governo de Tony
Blair. O texto definitivo foi publicado ontem e a
primeira votação no Parlamento deverá ocorrer em
meados deste mês. Esta reforma marca "um momento
importante para o Governo", declarou o
primeiro-ministro, quando ainda tentava conquistar a
oposição que foi criada dentro do seu próprio
partido, o Trabalhista.
Os mais críticos, figuras eminentes como o
ex-ministro da Educação David Blunkett e diversos
juristas, temem que a proposta crie um sistema com
dois tipos de escolas: as de primeira, que são boas
e vão ficando cada vez melhores; e as de segunda, as
que são fracas e que vão piorando os seus
desempenhos. Blunkett fez saber que considera que a
aprovação desta lei será "infeliz e indesejável".
Para responder a todas as dúvidas do partido, Blair
e a ministra da Educação, Ruth Kelly,
disponibilizaram-se anteontem para se reunir com o
partido, à porta fechada, e para fazer algumas
alterações.
Foi o caso da introdução da proibição de as escolas
poderem entrevistar alunos e pais no processo de
admissão.
Para Blair seria embaraçoso ter de contar com o
apoio dos conservadores para fazer passar a lei na
Câmara dos Comuns - por isso fez tudo por tudo para
manter o seu partido unido, refere a AP.
As mudanças são "absolutamente necessárias" para que
o serviço público de educação obedeça a parâmetros
mais exigentes", justifica Blair à BBC on-line. O
Governo já disponibilizou 44 milhões de euros para
investir nos estabelecimentos de ensino que mais
precisarem.
A proposta de Blair prevê que as escolas possam
escolher os seus alunos, o que os mais críticos vêem
com algum cepticismo. É que, desse modo, os
estabelecimentos de ensino podem seleccionar os
melhores, de maneira a que os seus desempenhos se
reflictam nos bons resultados de cada instituição,
argumentam. Ruth Kelly já assegurou que o Governo
não vai tolerar que as escolas possam manipular
essas questões.
Um ano para
melhorar resultados
A lei prevê ainda que pais, empresas e grupos
confessionais possam gerir escolas que fazem parte
do sistema de ensino público. Os estabelecimentos -
que vão poder gerir o espaço e contratar pessoal -
terão ainda autonomia para desenvolver parcerias com
organizações exteriores e estabelecer "federações"
com escolas secundárias vizinhas.
O Governo acredita que esta autonomia vai servir
para as escolas tomarem iniciativas próprias e, tal
como os colégios privados, desenvolver programas
educativos que as diferenciem umas das outras.
Em relação aos estabelecimentos de ensino com maus
resultados, o Governo quer estabelecer o prazo de
máximo de um ano para mostrarem melhorias. Se não
conseguirem recuperar serão encerradas.
O "furor" que foi criado em torno da nova legislação
vai ser esquecido assim que a reforma for
implementada, considera o primeiro-ministro.
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