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Público - 09 Mar 06
Restruturação do Estado
Governo espera eliminar eleitores-fantasma com criação do Cartão do Cidadão
Nuno Sá Lourenço Recenseamento eleitoral desaparece tal como existe
actualmente. Eleitores passam a apresentar número de
identificação civil no momento do voto
Deixa de haver recenseamento
eleitoral, número de eleitor e mortos no caderno
eleitoral. Estas foram algumas das mais-valias do
Cartão do Cidadão apresentadas ontem, no Centro
Cultural de Belém, em Lisboa, na prova de conceito
do documento levado a cabo perante a presença do
Governo (ver página 21).
Foi o ministro da Admnistração Interna, António
Costa, quem referiu que o novo documento iria
"forçar" a administração pública a agilizar-se. O
governante deu como exemplo as "400 bases de dados
do Ministério da Saúde que vão ter de ser
uniformizadas", além da criação de uma base de dados
que passe a juntar o registo de identificação civil
e o recenseamento eleitoral.
Maria Manuel Leitão Marques, coordenadora da UCMA
(Unidade de Coordenação da Modernização
Administrativa) precisou depois da cerimónia, em
declarações ao PÚBLICO, que os cadernos eleitorais
passariam a ser "um subsistema" no registo civil.
Essa inclusão permitirá, assim que o sistema esteja
operacional, eliminar automaticamente os mortos da
lista de votantes. "Acabam os eleitores-fantasma",
confirmou.
Esta responsável explicou ainda que o futuro Cartão
do Cidadão não terá um número de eleitor, uma vez
que a identificação nos actos eleitorais passa a ser
feita com o número de identificação civil. Essa
solução vai permitir eliminar o recenseamento
eleitoral tal como acontece actualmente. O cidadão
será "inscrito automaticamente ao atingir a
maioridade": "Nós sabemos onde mora, a idade que
tem", explicou Maria Manuel Leitão Marques para
exemplificar que todos os dados necessários estarão
já na posse do Estado, por estarem inscritos no
registo civil.
A cerimónia de ontem, denominada de prova de
conceito, serviu para demonstrar que o documento era
exequível. Basicamente foi um "ensaio onde se testou
todo o sistema de funcionamento do cartão - o
back-office, a logística e a ligação a cada um dos
sistemas de informação."
No final da cerimónia, o ministro de Estado e da
Administração Interna, António Costa, confirmou que
a zona-piloto de distribuição do novo cartão do
cidadão será a região autónoma dos Açores, definindo
o último trimestre deste ano para o arranque da
iniciativa.
António Costa reiterou ainda que em 2007, o Cartão
do Cidadão começará a ser distribuído em todo o
território nacional às pessoas que necessitem de
renovar ou tirar pela primeira vez um dos cinco
documentos que serão substituídos pelo novo cartão.
O primeiro-ministro, que esteve igualmente presente,
destacou o facto de o projecto do Cartão do Cidadão
ter sido desenvolvido "em poucos meses, apesar de se
tratar de um projecto complexo e que exigiu grande
cooperação entre os serviços da administração
pública".
Segundo António Costa, o projecto de criação do
cartão do cidadão envolveu cinco ministérios
(Administração Interna, Finanças, Segurança Social,
Saúde e Justiça), nove serviços da administração
central e 4259 juntas de freguesia. Além dos elogios
à capacidade dos serviços públicos, o ministro fez
questão de agradecer às empresas privadas que
aderiram à iniciativa pro bono. Entre as empresas
privadas envolvidas no projecto encontram-se a
Microsoft, a HP, Siemens, Accentur, Novabase e
Unisys.
"O cartão do cidadão será um documento seguro, tal
como iremos também ter um passaporte seguro",
declarou o ministro da Administração Interna,
acrescentando que o novo cartão estará preparado
para responder a novas exigências da União Europeia
em termos de normas de segurança. "Com o cartão do
cidadão, deixarão de existir cerca de 40 milhões de
cartões actualmente emitidos pelos serviços da
administração pública. Haverá ainda nos serviços do
Estado uma revisão da engenharia de procedimentos",
disse António Costa.
Da mesma forma, um cidadão vai poder comunicar por
via electrónica a sua mudança de residência, o que,
automaticamente, lhe alterará o código da sua zona
de contribuinte e a freguesia onde exercerá o seu
direito de voto.
Na cerimónia, além de José Sócrates e António Costa,
estiveram presentes os ministros da Ciência e da
Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, da
Justiça, Alberto Costa, e da Segurança Social e
Trabalho, Vieira da Silva.
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