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Diário de Notícias - 12 Mar 06
Actuam em grupo e usam caçadeiras
A maioria dos agressores actua em grupo: a média da faixa etária é de 22,5 anos;
tem como alvos preferidos os espaços públicos e os estabelecimentos comerciais;
usa armas adaptadas e não atinge mais de quatro vítimas. Estas são algumas das
conclusões de um estudo exploratório realizado, no ano passado, pelo Instituto
da Polícia Judiciária, a pedido da directoria de Lisboa por terem sido
detectadas alterações aos padrões normais dos assaltos à mão armada.
Foram analisados 71 casos, que envolveram indivíduos dos 15 aos 41 anos, 116
africanos, segundas gerações, 39 caucasianos e 11 ciganos. Quase todos com
reincidências no mundo do crime desde os 12 e 13 anos.
De acordo com dados fornecidos ao DN, em grupo actuavam 60% dos elementos, em
dupla 18% e individualmente 20%. A faixa etária dos primeiros era de 22,5 anos,
dos segundos de 23/24 anos, dos últimos 31 anos. Nos grupos foram identificados
indivíduos com características muito diferentes, alguns com traços marcantes a
nível de personalidade, grande capacidade de influenciar os outros, quer pela
agressividade, impulsividade, ou simplesmente pelo facto de não cumprirem as
normas. "Factores que os tornavam líderes", explica Cristina Soeiro, a psicóloga
do Instituto da Polícia Judiciária, que coordenou a análise.
Do profissional ao mais fácil
Quanto aos padrões de roubo foram identificados quatro grupos. Um profissional,
de que faziam parte indivíduos mais velhos, que avaliavam e planeavam as acções,
"os chamados profissionais do crime", e que actuavam individualmente ou em
grupo. Destes, alguns manifestaram "perturbações graves da personalidade".
O segundo grupo aparecia associado ao roubo e à toxicodependência, voltado para
o furto pouco organizado, que apenas servia para obter os montantes necessários,
somas pequenas. O terceiro, ao alcoolismo, respeitava a "situações pouco
importantes, praticadas por indivíduos facilmente identificados pela polícia, e
que não planeavam o crime", justifica a psicóloga.
O mais representativo era o quarto, o do crime de oportunidade, praticado por
grupos de jovens, que actuavam com base na disponibilidade, que escolhiam os
alvos segundo a facilidade de acesso e de fuga e que usavam a violência sempre
quando necessária. Este grupo preferia como armas as caçadeiras de canos
serrados, que aumentavam o ângulo de disparo, e as de alarme, transformadas nas
de calibre de 6,5 milímetros.
Motivações económicas
No que toca ao perfil dos agressores, também foram traçados quatro. O primeiro
actuava em estabelecimentos comerciais com arma de fogo, violência, em grupo ou
dupla, e uma motivação económica. O segundo também preferia espaços públicos,
armas de fogo ou brancas e tanto actuava em grupo como em dupla. As vítimas
ficavam com lesões graves e a motivação era igualmente económica.
O terceiro integrava indivíduos que associavam o crime à dependências da drogas,
que deixavam lesões nas vítimas se fosse necessário. O último, cuja percentagem
não é muito significativa, segundo Cristina Soeiro, incluía os agressores mais
perturbados e mais violentos, que planeavam as acções.
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