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Público - 17 Mar 06
Irene ia apanhando com barra de ferro
Não sabe porquê, mas era recorrente um grupo de alunos fazer barulho junto à
porta onde dava aulas de Educação Musical. Naquele dia o barulho era feito com
barras de ferro. Batiam contra a porta e "inadvertidamente" Irene Bessa,
professora na escola Ramalho Ortigão, no Porto, abriu a porta e "por sorte" não
lhe acertaram, conta. "A porta estava a ser arrombada e ia apanhando com a
barra", diz. Foi ao conselho executivo e falou com a directora de turma daqueles
"vândalos em potência", mas ninguém fez nada. Chamou a polícia e apresentou
queixa. Os alunos, do 5.º ano, já tinham cadastro. A escola suspendeu-os, mas
eles depois regressaram. "Senti a violência na escola como ninguém. Não me sinto
segura", confessa. A docente conhece outros casos e lamenta que os colegas
tenham medo de falar. "Somos uma classe desunida."
Ameaçado de morte
por estudante de 11 anos
Foi no primeiro período. O aluno de 5.º ano portava-se mal e João (nome
fictício), professor de Matemática numa escola em Gondomar, advertiu-o inúmeras
vezes, até que mandou o rapaz de 11 anos levantar-se e dirigir-se para junto da
secretária. O garoto saltou e ameaçou-o: "Você não sai daqui vivo, eu chamo os
ciganos... Você tem sorte de eu não me atirar já a si, que eu partia-lhe os
óculos... Vou riscar-lhe o carro." Esta última ameaça concretizou-se e o miúdo
vangloriou-se do feito a quem quis ouvi-lo. A escola suspendeu-o durante dez
dias. O professor, com mais de 30 anos de profissão, acabou por participar à
polícia. Como o aluno é menor, o caso foi arquivado pelo tribunal. "Há dez anos
isto não acontecia, porque os pais vinham saber o que se passava. Agora exageram
na protecção dos filhos e viram-se contra nós", lamenta. "Não tem pés nem
cabeça, um aluno de 11 anos dizer que me matava...", desabafa.
Outra agressão esta semana em Lisboa
A história é semelhante à que aconteceu na secundária Herculano de Carvalho, em
Lisboa, e ocorreu também na terça-feira passada. Na secundária Afonso Domingues,
em Marvila, um professor foi agredido, dentro da escola, por uma pessoa do
exterior. "Houve a intrusão de um individuo que não é da escola e que agrediu
fisicamente um professor", confirmou a vice-presidente do conselho executivo,
Susana Barbosa, que se escusou a prestar mais declarações porque "o assunto está
a ser tratado pela PSP". O coodenador do Gabinete de Segurança do Ministério da
Educação, coronel Jorge Parracho, desconhecia o caso.
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