Portugal Diário - 09 Out 06
A corrupção vem primeiro
PGR define prioridades. Cavaco pede discrição na
acção e resultados
O mote do combate à corrupção já
tinha sido dado por Cavaco Silva, no discurso do 5
de Outubro, e esta segunda-feira o novo
Procurador-Geral da República mostrou que está em
sintonia com o Presidente da República.
Fernando Pinto Monteiro
reconheceu, no discurso de tomada de posse, em
Belém, que «todo o crime deve ser investigado», mas
que a corrupção é um daqueles crimes que «pela sua
especial gravidade, pela sua enorme repercussão em
várias áreas da sociedade, necessitam de uma maior
colaboração entre os vários órgãos do Estado».
Os portugueses também não ficam
fora desta cruzada. Pinto Monteiro pede «uma maior
participação dos cidadãos», além de um maior
dispêndio de tempo e de meios.
«Ponto chave» desta luta é que «a
consciência moral do homem médio» seja sensibilizada
para o problema e que deseje a punição de quem
prevarica. Pinto Monteiro referiu, em resposta ao
PortugalDiário, que não tem pretensões de
conseguir acabar com a cunha em Portugal, mas
está empenhado em sensibilizar os portugueses para
os males da corrupção.
A sua passagem pela Alta
Autoridade Contra a Corrupção mostrou-lhe que os
portugueses «não têm plena consciência» das
fronteiras entre a legalidade e a corrupção.
«Corrupção torna os fracos
mais fracos
Há «vários graus da corrupção,
desde a pequena corrupção até à corrupção de
Estados», sendo que esta última «arrastando os
grandes interesses, torna os poderosos mais
poderosos e os fracos mais fracos», referiu no
discurso. É por isto que o novo responsável máximo
do Ministério Público promete empenhar-se
«seriamente» nesta batalha.
Recados para dentro de casa e
para os jornalistas
Os magistrados «devem investigar,
julgar e não noticiar» e os jornalistas devem
«informar, opinar, criticar, doutrinar, mas não
julgar», defendeu Pinto Monteiro.
Discrição na acção e
visibilidade nos resultados
Pouco passava do meio-dia quando
o novo PGR entrou na sala dos embaixadores. Uma
divisão pequena para acolher o primeiro-ministro,
José Sócrates, outros membros do Governo, operadores
judiciários, jornalistas e duas presenças especiais,
a mulher e filha de Pinto Monteiro. [O filho
preferiu ficar do lado de fora].
Cavaco tomou a palavra para
recomendar «discrição na acção e visibilidade nos
resultados». O novo PGR mostrou estar em sintonia
com o chefe de Estado. .
Ambos fizeram questão de reservar
umas linhas a Souto Moura nos seus discursos.
Enquanto, Cavaco fez o público reconhecimento do
Estado português «pela dedicação, dignidade e
independência» com que o ex-PGR exerceu as suas
funções «num período particularmente difícil e
complexo da justiça portuguesa», Pinto Monteiro
preferiu salientar a presença do PGR que, garantiu,
«muito me honra».
«Andava com ele nos bailaricos
Não constava do discurso de seis
páginas que o Procurador leu na cerimónia de posse,
mas no final também houve um agradecimento muito
sentido para «as pessoas simples, que vieram de
longe, algumas com esforço para estar aqui». Pinto
Monteiro referia-se também aos conterrâneos de Porto
de Ovelha (Guarda) terra natal do novo Procurador.
Isabel Fonseca terá apreciado
estas últimas palavras de Pinto Monteiro. «Andávamos
nos bailaricos, em casa da avó dele. Usávamos uma
grafonola para ouvir música», conta esta amiga do
PGR ao PortugalDiário. Isabel vive em Lisboa
e juntou-se aos amigos de Porto de Ovelha que
exibiram cartazes a saudar o filho pródigo da terra.
«Porto de Ovelha saúda o Dr. Fernando Pinto
Monteiro». «É um bom homem», garantem.