Público - 10 Out 07
A pena capital é "injusta",
"ineficaz" e atinge os "mais fracos"
A pena de morte "atinge sobretudo os mais fracos,
sem recursos para se defenderem, muitas vezes
oriundos de minorias étnicas".
Ao retrato traçado pela eurodeputada
Hélène Flautre, o presidente em exercício da União
Europeia (UE), José Sócrates, acrescentou que a pena
de morte é "um instrumento punitivo que não só não é
justo como também não é eficaz", já que pode dar
origem a erros "irreparáveis". "Se mais razões não
houvesse, só esta justificaria a sua abolição",
considerou.
Sem ignorar o "papel central" dos
deputados no quadro das relações com homólogos de
todo o mundo, Hélène Flautre salientou, porém, que a
UE tem a responsabilidade de apoiar "actores locais,
regionais e nacionais" que combatem a pena de morte
e, simultaneamente, de promover a abolição nas suas
relações com países terceiros.
Questionado directamente sobre a
possibilidade de a UE vir a aplicar sanções a países
retencionistas, o ministro da Justiça português,
Alberto Costa, defendeu que não se pode "lidar com
todas as diferenças do mundo através de castigos" e
disse acreditar na "conquista da mente" e na via da
alteração de "sensibilidades", através de "gestos e
mensagens políticas".
O comissário europeu Franco Frattini
recordou, por seu turno, que a UE tem feito pressão
regular, em casos individuais, sobre Estados que
aplicam a pena de morte.
O coordenador do grupo de trabalho
contra a pena de morte da Amnistia Internacional,
Piers Bannister, falou de "duas vítimas [da pena de
morte] esquecidas". Os funcionários públicos que
executam as sentenças, "que, muitas vezes, sofrem de
trauma", e as famílias dos executados.
Saudando os progressos recentes -
"dois terços dos países aboliram a pena de morte nas
últimas três décadas" -, Piers Bannister sublinhou
que "nunca se poderá descansar".
Por exemplo, no continente africano,
"apenas seis países realizaram execuções em 2006",
mas, por outro lado, o recurso à pena capital tem
aumentado na Ásia e no Médio Oriente. "Temos de nos
concentrar" em determinados países e avaliar "como
podemos chegar até à China, ao Irão, ao Iraque, à
Arábia Saudita, onde não há sequer debate sobre o
assunto", defendeu.
Em representação da alta-comissária
para os Direitos Humanos da ONU, Maria Francisca
Ize-Charrín sublinhou que, apesar de a pena de morte
ainda não ser proibida na lei internacional, é cada
vez mais tratada como "uma excepção ao direito
fundamental à vida".
Frattini recordou que a UE tem feito
pressão regular, em casos individuais, sobre Estados
que aplicam a pena de morte