Portugal Diário
- 17 Out 07
Pobreza: números envergonham Cavaco
PR defendeu que sozinho o Estado não consegue
melhorar a situação
O Presidente da República afirmou hoje que os
últimos números sobre a pobreza, que colocaram
Portugal entre os mais pobres da União Europeia, são
motivo de vergonha e defendeu que sozinho, o Estado
não consegue melhorar a situação, noticia a Lusa.
«Envergonho-me um pouco desta posição», afirmou
Cavaco Silva na inauguração do Banco de Bens Doados,
na Quinta do Cabrinha, uma nova instituição de apoio
social, referindo-se à posição de Portugal na lista
dos «10 países em maior risco de pobreza» na União
Europeia e ao nível de «desigualdade na distribuição
de rendimentos» referidos nos últimos números do
Instituto Nacional de Estatística (INE).
«Estou convencido que o Estado só por si não
consegue resolver estes problemas», acrescentou o
chefe de Estado, afirmando que é preciso que «os
cidadãos se organizem, trazendo ao de cima a sua
consciência social» para combater a pobreza.
O combate ao abandono escolar e a promoção do
emprego para criar condições que permitam fugir à
pobreza são também partes da solução apontadas por
Cavaco Silva, que falava aos jornalistas quando foi
confrontado com um protesto inusitado de um duo de
humoristas.
Enquanto o Presidente falava aos jornalistas, um
burburinho entre os jovens do bairro da Quinta do
Cabrinha foi crescendo até se tornar ensurdecedor,
ajudado pelo megafone e pela guitarra dos «Homens na
luta», do programa «Vai Tudo Abaixo!», da SIC
Radical.
Surpreendido, Cavaco ainda se dirigiu sorridente
para o centro da agitação, mas os homens da
segurança e da polícia, a princípio baralhados,
estabeleceram uma barreira entre o Presidente e os
humoristas, acabando por conduzi-lo rapidamente para
o seu automóvel.
«Esta gente não quer continuar a ser ostracizada!»,
gritava um dos «Homens na Luta», que passado um
minuto de confusão e concluída a rábula, se
retiraram tão depressa quanto tinham aparecido no
bairro social que recebeu Cavaco com palmas.
A responsável do Banco, Isabel Jonet, afirmou que o
material recolhido será distribuído pelas
instituições de acordo com a actividade que
desempenham e o tipo de população que ajudam, com a
ajuda de um programa informático desenvolvido para o
efeito.
O Banco, que não recebe artigos em segunda mão, só
novos, terá também uma oficina de marcenaria e
informática. Receberá ainda equipamentos
electrónicos e eléctricos, aproveitando os que ainda
podem ter uso e encaminhando os restantes para
reciclagem.
Cavaco Silva considerou a iniciativa um «bom exemplo
do envolvimento cívico para a inclusão social».