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22 de Setembro de 2000 - www.ForumHSO.pt
Família
em stress
A família clássica e a família
moderna estão em franca discussão no mundo actual. Portugal tem aqui
também um record de má qualidade de vida das suas famílias da classe
média baixa. As famílias de núcleo reduzido -mãe, pai e filho -
acarretam solitárias todo o esforço físico, psicológico e financeiro
dos seus quotidianos. Não tendo outra alternativa senão enfiar os
parentes idosos em lares, os bebés em amas ou creches, as crianças em
escolas de horários reduzidos e acompanhamento precário. Queremos os
nosso idosos em lares e os nossos bebés nas amas ou preferimos ficar
com eles em casa recriando um novo estilo de família?
A família clássica e a família
moderna estão em franca discussão no mundo actual. Cada vez mais o
modelo da família urbana mononuclear está a ser posto em causa,
curiosamente e em simultâneo, por correntes mais à esquerda e pelas
mais conservadoras. Portugal, neste momento habituado a estar na cauda
da Europa em múltiplas áreas sociais, tem aqui também um record de má
qualidade de vida das suas famílias da classe média baixa. Sobretudo
no litoral urbano, sobrecarregado com a fuga ao subdesenvolvido interior
do país rural. As famílias de núcleo reduzido -mãe, pai e filho -
acarretam solitárias todo o esforço físico, psicológico e financeiro
dos seus quotidianos. Não tendo outra alternativa senão enfiar os
parentes idosos em lares, os bebés em amas ou creches, as crianças em
escolas de horários reduzidos e acompanhamento precário.Enquanto se
desperdiça o vigor fisico, intelectual e a vertente sentimental que
muitos idosos poderiam dar, com a vantagem de não se sentirem atirados
para o cachote do lixo da sociedade.Não desejando um «Estado
Providencia» pede-se-lhe, no entanto, que em vez de facilitar não
prejudique. O Estado deveria tomar medidas para proporcionar uma melhor
qualidade de vida aos cidadãos e fomentar um acréscimo de natalidade
que trave o envelhecimento brutal verificado nos dados demográficos
portugueses. Com todas as consequências de ruptura do sistema social
que esta situação acarreta para um futuro já não muito longínquo.
Ao contrário disto os governantes têm adoptado medidas avulsas
profundamente demagógicas que, não só não resolvem, como agravam
este estado de coisas. Na fiscalidade é o desastre que se conhece; os
apoios directos à família tendem a desagregar e não a reagrupar; o crédito
à habitação promove em exclusivo a família mononuclear, sem dar
alternativa a quem deseja outro modelo familiar.Em síntese, nada é
planeado globalmente. Por isso as famílias em causa vivem em stress
permanente, correndo de casa para a ama, da ama para o trabalho, do
trabalho para as compras, das compras para a bicha dos impostos, daqui
para o lar ou o hospital, depois novamente para a ama e, finalmente,
pelas nove da noite para uma casa que ninguém arrumou, onde ninguém,
entretanto, cozinhou, nem lavou ou engomou a roupa. Uma casa vazia de
afecto e conforto, onde se emborca uma papa á criança deitando-a
rapidamente, num esforço hercúleo de poder ainda visionar uma qualquer
telenovela ou um jogo de futebol que descontraia os músculos cervicais
e descanse a cabeça por uns momentos.
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