| Público - 10 Set 04
Regresso
às Aulas
Por VANDA
MARQUES, com S.S.C. e B.W.
Existem cada
vez mais instituições bancárias que oferecem condições de crédito
aos pais que querem fazer face às despesas escolares e não sabem
muito bem como. As campanhas publicitárias estão aí e prometem aos
encarregados de educação começar o ano lectivo descansados, sem
fazer um grande esforço económico. A Confederação Nacional das
Associações de Pais (Confap) desaconselha as famílias a
endividarem-se e aponta o dedo ao Estado, que deve ser mais
responsável pela educação.
BPI, Millenium
BCP e Grupo Santander, que inclui o banco Totta & Açores, são
algumas das instituições que oferecem este tipo de crédito, que
surgiu depois de terem sido analisadas as necessidades do mercado,
referem fontes destes bancos. No caso do BPI, este é o segundo ano
da campanha "Regresso às aulas", e a adesão tem sido "substancial",
revela fonte do banco. A proposta é que, num prazo de oito anos, os
interessados paguem em mensalidades os gastos em material escolar ou
propinas. O montante máximo de crédito é de 30 mil euros. Segundo o
BPI, não há propriamente um pico de procura - trata-se sim de uma
oportunidade em que as ofertas são ajustadas ao período temporal em
que as pessoas estão mais despertas para este tema. As bonificações
na taxa de juro são feitas em função do relacionamento comercial com
o BPI.
O Grupo
Santander tem também uma campanha especialmente dedicada ao início
do ano lectivo. É já o segundo ano que disponibiliza um crédito
específico que permite diluir, até um prazo máximo de dez meses, os
encargos adicionais das famílias. O montante de crédito oscila entre
os 500 e os 2500 euros, com uma taxa de juro de quatro por cento.
O Millenium
BCP aderiu à moda apenas este ano. A intenção, referiu um
responsável da instituição, é ir ao encontro de uma franja de
clientes que tem encargos financeiros superiores àquilo que pode
suportar. As ofertas multiplicam-se em descontos nos livros
escolares, não-escolares e computadores, além de um crédito
"Regresso às aulas" entre os 1500 e os 3500 euros, que pode ser pago
em 12 meses, com taxas de juro de 8,5 a 12,5 por cento.
O presidente
da Confap, Albino Almeida, põe em causa estes créditos especiais
porque os montantes oferecidos ultrapassam em muito o que os pais
gastam nesta época do ano. Por isso, aconselha - em último caso,
sublinha - que as famílias, em vez de recorrerem a empréstimos
bancários, recorram às facilidades de pagamento oferecidas por
algumas grandes superfícies e editoras.
"As
consequências da aquisição destes créditos é a instabilidade
económica das famílias. Encontramo-nos numa época em que o emprego é
precário e é um grande risco contrair este tipo de créditos",
adverte Albino Almeida.
Livrarias
virtuais facilitam vida aos pais
Para além dos
créditos bancários, mais recentes em Portugal, há vários anos que se
aposta em facilitar ao máximo a vida dos pais dos alunos neste
período de "rentrée" escolar. Comprar os livros, por exemplo, já não
precisa de ser sinónimo de tempos infinitos aos balcões das
livrarias. Basta aceder à Internet, seleccionar a escola que
frequentam os miúdos lá de casa, fazer a encomenda e esperar
comodamente pela entrega. Sem filas, sem esperas e, em alguns casos,
com descontos sobre o preço de capa dos manuais escolares ou outros
benefícios.
A Mediabooks (www.mediabooks.pt.)
foi a primeira livraria "on-line" a oferecer a compra de manuais e
outros livros de apoio para os estudantes. Todos os anos o número de
adesões a este meio tem sido "exponencial", refere Joaquim Barradas,
responsável por este serviço da Texto Editora. Comparando Agosto
deste ano com o anterior, o número de clientes aumentou 80 por
cento. "São largos milhares" que fazem as suas encomendas,
beneficiando da isenção de pagamento dos portes de envio (em compras
superiores a 40 euros), vales de desconto até dez por cento do valor
das compras e poder aceder, gratuitamente, a um "site" com
enciclopédias e dicionários durante 180 dias.
A Webboom (www.webboom.pt),
a livraria "on-line" da Porto Editora, ainda não fez o balanço, mas
desde 12 de Julho, data a partir da qual disponibilizou o serviço,
já recebeu "milhares de encomendas", informa Paulo Gonçalves,
assessor de imprensa da Porto Editora. Ao longo dos anos,
acrescenta, a procura deste tipo de serviços tem também vindo a
aumentar. Sobretudo porque retira trabalho aos pais.
"Não precisam
de ir à escola verificar quais são os livros adoptados, não precisam
depois de ir buscá-los à livraria porque a entrega é feita no dia e
no local que escolherem", esclarece. Há mais uma vantagem: apesar de
ter que suportar gastos de envio que ascendem aos 3,95 euros, quem
decidir encomendar os livros pela Webboom pode ainda usufruir de um
desconto de 10 por cento sobre o preço de capa dos manuais.
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