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Público - 17 Set 04
Chumbos nos Exames de 12º Ano. A Matemática. O Português. E
o Resto
Por
ANTÓNIO BARRETO
no após ano,
as médias nacionais dos exames do 12º ano revelam uma mediocridade
aflitiva. As médias de Física, Matemática e Português oscilam entre
os 5 e os 7 valores. Os jornais limitam-se a dar a notícia. Aqui e
ali, um artigo pretende discutir o assunto. Os governantes do dia
anunciam atenção e preocupação. Por vezes também reformas de fundo.
Nos anos seguintes, tudo se repete. As únicas maneiras até agora
conhecidas ou tentadas para diminuir o desastre e obter melhores
resultados foram sempre as mesmas: ordenar aos professores que dêem
melhores notas ou que sejam menos severos; instruir os conselhos
directivos ou escolares para "reavaliar"; ou eliminar os exames.
Outras tentativas incluem as inevitáveis reformas do ensino, das
estruturas, dos horários, dos currículos e dos conteúdos. Nunca se
obteve melhoria do que quer que seja. A não ser, pela facilidade,
nas condições de acesso à universidade onde ainda é possível chegar
com algumas notas negativas em disciplinas nucleares. Todos os
governantes garantem a bondade da sua reforma, a qual só não terá
produzido melhores resultados porque não tiveram tempo para deixar
os seus maravilhosos planos dar frutos.
O caso da
Matemática é particularmente confrangedor. Todos os motivos e todas
as explicações são fornecidos. Matéria a mais ou a menos.
Complexidade excessiva ou facilidades inadmissíveis. Falta de
preparação dos professores ou docentes com conhecimentos
demasiadamente avançados. Ausência de perspectiva pedagógica. Aulas
a mais. Impossibilidades de as crianças apreenderem as regras do
pensamento abstracto. Tentativas de os professores ensinarem a
Matemática como se fosse um prazer. Perda da necessidade de aprender
de cor. Convicção de que é necessário compreender antes e decorar
depois. Ou a contrária. E por aí adiante. E até se diz, parvoíce
suprema, que a Matemática (e, pelos vistos, o Português e a
Física...) não é compatível com o "carácter nacional" ou as
"tradições portuguesas"!
Eu não sei
qual é a resposta. Só sei que está mal e está errado. E que os
governos e os ministérios não conseguem pensar, estudar, aprender
com quem sabe, ouvir quem conhece, tomar decisões sem preconceitos
ideológicos. E sei que, com a Matemática neste estado, mas também a
Física, tal como o Português, são os fundamentos do conhecimento e
da expressão de várias gerações que assim ficam destruídos e
degradados. Sem que se encontre solução. E não me venham falar, como
é hábito, da falta de inclinação dos portugueses para o raciocínio
lógico, para o pensamento formal e para as operações abstractas. Com
efeito, o facto de nas piores médias estarem juntos o Português e a
Matemática revela bem que não se trata de qualquer imperfeição do
ADN ou de um atávico património intelectual. É mau ensino. E péssima
escola, ponto final.
Recorram a
estrangeiros, americanos, japoneses, sul-coreanos, indianos, o que
for! Perceba-se o que se está a fazer a gerações sucessivas.
Reconheça-se que as reformas educativas e curriculares, pelo menos
nestes aspectos, falharam redondamente, desde Veiga Simão a David
Justino, passando por Deus Pinheiro, Roberto Carneiro e Ana
Benavente, sem contar as dezenas de ministros e secretários de
Estado que se entremearam. Gostaria que alguém explicasse o desastre
da Matemática em Portugal...
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