Público - 17 Set 04

Ministro Quer Beneficiar Quem Tem Idosos em Casa

O ministro da Segurança Social e da Família, Fernando Negrão, admitiu beneficiar com "medidas de natureza fiscal" famílias que mantenham os idosos em casa, contribuindo desse modo para diminuir as listas de espera dos lares. Uma declaração que, esclareceu o assessor de imprensa do ministro ao PÚBLICO, é "uma manifestação de intenções, com forte convicção".

No final da inauguração do espaço de actividades de tempos livres da Santa Casa da Misericórdia em Tondela, anteontem ao fim da tarde, o ministro referiu que o Governo está a estudar soluções para o problema da terceira idade, que "podem passar por medidas de natureza fiscal, para as famílias serem beneficiadas pelo facto de os seus pais e avós das crianças ficarem em casa".

"Pode também passar por medidas de natureza de alarme, no sentido de inserir mecanismos ágeis e rápidos no contacto do idoso com o exterior", acrescentou, defendendo a necessidade de "usar a imaginação para criar mecanismos que permitam ao idoso ficar em casa".

Momentos antes, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tondela, Carlos Cunha, tinha referido que, para o lar da sua instituição, "existe uma longa lista de espera que ultrapassa a meia centena de pedidos".

"Temos de criar mecanismos que possibilitem às pessoas da terceira idade e também da quarta idade, porque ela já existe, ficarem nas suas casas com o apoio das suas famílias", disse o mesmo responsável.

Fernando Negrão lembrou que existem idosos "cada vez mais saudáveis e a viver cada vez mais anos", que têm um importante papel na família, nomeadamente no acompanhamento dos netos, numa altura em que "o tempo dos pais é curto, às vezes demasiado curto".

Fernando Negrão apelou a que se comece a ter um "discurso positivo" sobre a família, criticando a "discussão negativista" que houve em torno do aborto, que na sua opinião "atingiu aspectos folclóricos".

"O Governo tem de ter um discurso para a família, que tem de ser o que tiver maior aceitação social", disse, acrescentando que "a maioria das pessoas quer uma família constituída por crianças que tenham uma referência masculina e uma feminina".

"Não falo de uma forma retrógrada da família. Podemos agarrar no conceito tradicional de família e modernizá-lo com o que entendermos. Tem de haver uma atitude de aceitação relativamente a outras formas de família, mas tem que existir um modelo institucional de família", defendeu. PÚBLICO/Lusa

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