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Público - 22 Set 04
Colocação Manual dos Professores Adia Resultados do Concurso
para Final de Setembro
Por ISABEL
LEIRIA E SANDRA SILVA COSTA
Se dúvidas
houvesse quanto à possibilidade de todos os professores ficarem
colocados até 23 de Setembro, o último dia estabelecido pelo Governo
para o início do ano lectivo, as piores expectativas confirmaram-se
ontem. Depois de mais um prazo falhado, ao princípio da noite de
ontem, a ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, anunciou que,
afinal, as listas definitivas do concurso de docentes serão
conhecidas "a 30 de Setembro, o mais tardar".
Em causa está
o destino de cerca de 50 mil candidatos ao concurso de destacamento
e afectação que, só então, saberão em que escolas vão dar aulas.
Isto se o Ministério da Educação (ME) conseguir cumprir esta última
fase, que não se afigura fácil. Depois de todas as falhas, a tutela
decidiu abdicar do programa informático que estava a gerir as
colocações de professores e vai avançar com o processo manualmente.
"Considero que
o programa informático não está em condições de garantir estas
datas. Esta solução [colocação manual] eu posso garantir. Não
depende de factores exógenos à minha capacidade", justificou Maria
do Carmo Seabra, em conferência de imprensa, realizada na sede da
Presidência do Conselho de Ministros. A tarefa vai implicar, em
média, a análise de sete mil candidaturas por dia.
Entretanto,
para que as escolas mais afectadas com a falta de professores não
sejam prejudicadas, o ME vai autorizar o prolongamento das aulas por
mais uma semana. Sem entrar em pormenores, Maria do Carmo Seabra,
acompanhada pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros e
pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, garantiu também que a
realização dos exames nacionais (do 12º e, este ano pela primeira
vez, do 9º) está "acautelada".
Sobre a opção
de ter mantido o andamento do concurso com o "software" que "já
revelara problemas", em vez de reiniciar todo o processo, a ministra
justificou-o com o facto de ter tido a "confirmação da empresa que
gere o programa informático e dos serviços [da Direcção-Geral dos
Recursos Humanos da Educação] da colocação atempada dos docentes e
início do ano lectivo na data prevista".
A recondução
dos docentes nas escolas em que leccionaram no ano lectivo passado
também chegou a ser equacionada. No entanto, explicou a ministra,
este cenário obrigaria a anular a 1ª fase do concurso, em prejuízo
dos professores já colocados. Carmo Seabra voltou a admitir a
"situação preocupante" que marca o início deste ano lectivo, mas que
resulta de "opções tomadas pelo Governo anterior e dos problemas
verificados no programa informático, da responsabilidade de uma
empresa externa [Compta] ao ministério". Ainda assim, referiu, até
ao dia de ontem "62 por cento das escolas estavam a funcionar".
Críticas,
desespero e preocupação
Escassos
minutos depois da declaração de Maria do Carmo Seabra, o estado de
espírito do secretário-geral da Federação Nacional dos Professores
(Fenprof) oscilava entre a satisfação e a tristeza. "Estou
satisfeito pelo facto de a ministra ter anunciado que não anularia o
concurso, mas sinto-me profundamente triste porque milhares de
professores foram muito maltratados e porque milhares de alunos
sairão prejudicados deste processo."
"Quero
acreditar que até ao dia 30 tudo possa estar resolvido. Não sou
especialista em informática, mas estava profundamente céptico quanto
à possibilidade de o concurso se realizar com justiça por meio dos
computadores", disse ainda. Mesmo assim, acrescentou, "aconteça o
que acontecer, o ano lectivo 2004/05 ficará irremediavelmente
prejudicado".
Para João Dias
da Silva, líder da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação
(FNE), acabou "por prevalecer o bom senso": "Claro que podemos
sempre questionar como é que no século XXI se substitui um sistema
informático por uma colocação manual de professores, mas o mais
importante é que a ministra acabou por tomar a decisão mais adequada
ao momento." O secretário-geral da FNE também concorda que "é
possível" ter a lista cá fora até ao dia 30. "Depende é dos apoios e
dos meios que se dêem às pessoas para trabalharem", frisou.
Com o anúncio
da "solução" a surgir só ao princípio da noite, os milhares de
professores que ainda esperam pelos resultados do concurso viveram o
segundo dia de desespero. E também as escolas que continuam à espera
dos docentes em falta e que definiram horários fictícios que não
sabem se vão poder ser cumpridos. Ou as famílias de muitos alunos
que se mantêm sem aulas ou com "furos" nos horários.
A esperança de
ver a sua situação resolvida durou pouco mais de meia hora para quem
se manteve ligado à Internet pela noite dentro. A divulgação das
listas estava prometida para segunda-feira mas só às três da manhã
de ontem foram colocadas na página da DGRHE. Cerca de 40 minutos
depois, o acesso tornou-se impossível. Detectara-se mais um erro.
Entre muitas
críticas, pedidos de demissão e manifestações de preocupação de
sindicatos, partidos políticos e pais, também o Presidente da
República não deixou de comentar a situação. "O momento actual não é
fácil, é muito grave e é um problema sério", afirmou, durante a
presidência aberta dedicada à Saúde. O chefe de Estado exortou os
responsáveis a resolverem as dificuldades e só depois pensar
"maduramente" que sistema poderá evitar problemas como os que
ocorreram, citou a Lusa.
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