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Público - 23 Set 04
Prescrevem por Ano 60 Mil Multas de Trânsito
Por JOSÉ
BENTO AMARO
Todos os anos
prescrevem em Portugal cerca de 60 mil autuações rodoviárias por
dificuldades, da GNR e da PSP, em identificar, localizar e notificar
os infractores. Os dados, da Direcção Geral de Viação (DGV), servem
para atestar uma convicção das autoridades ficalizadoras, que
afirmam não funcionar satisfatoriamente o carácter dissuasor que
deveria estar inerente às coimas e outras penalizações aplicadas
legalmente.
"Uma das
maiores dificuldades que se depara aos efectivos da Brigada de
Trânsito [BT] para fazer cumprir o Código da Estrada é o facto de se
encontrar muita gente que ou desconhece as regras ou, pura e
simplesmente as ignora. Por exemplo, no caso das multas, há aqueles
que nem sequer querem saber do seu pagamento, como também há os que
desconhecem que a lei prevê que, não as podendo pagar de uma só vez,
existem mecanismos que lhes permitem pagar faseadamente", disse ao
PÚBLICO o capitão da BT, Lourenço da Silva.
Este
responsável da BT, lembrando que a nova lei deverá contemplar o
alargamento, para dois anos (actualmente é de apenas um), do período
de prescrição das autuações, salienta, no entanto, que "mais
importante do que fazer a alteração legislativa é alterar a
mentalidade dos automobilistas, bem como proceder a uma melhoria da
sinalização das vias e melhorar os respectivos traçados". Dessa
modo, afirma, diminuem os riscos de infracção e acidentes,
contribuindo decisivamente para minorar o trabalho burocrático das
autoridades fiscalizadoras do trânsito. O dispositivo da GNR a nivel
nacional, ainda de acordo com o capitão Lourenço da Silva, regista
uma média diária de 300 acidentes de viação, sendo que alguns deles
são de menor monta mas que, mesmo assim, por imposição dos
condutores, obrigam à comparência das autoridades.
"Infelizmente
constatamos [brigadas territoriais da GNR e BT] que há muito quem se
procupe apenas com os seus direitos e que esquece os deveres que
tem. As pessoas esquecem que o Código da Estrada é um manual de
segurança. Desrespeitam a sinalização e depois, quando são autuados,
têm por hábito responder de duas formas: ou dizem que nunca
vislumbra a Guarda nas estradas ou, pelo contrário, que a Guarda
está presente em demasia. Esse é um comportamento típico dos
infractores", afirma o mesmo responsável.
Sobre a
eventual falta de meios que leve os efectivos da GNR e BT a fazer
cumprir, de modo mais criterioso, a aplicação de coimas, a posição
de Lourenço da Silva é a de que se deve fazer o melhor com os meios
que existem. "Todos gostariamos, certamente, de ter um Mercedes, um
Ferrari ou outro grande carro. Mas se não o temos, então temos de
nos governar com o que existe. Fazer o melhor possível com os meios
à disposição", sintetizou.
A eventual
falta de meios materiais, nomeadamente viaturas e equipamento
informático que permita de imediato identificar infractores
reincidentes e que não efectuam o pagamento das coimas - a maior
parte dos proprietários interpelados afirma que o veículo em causa
já não lhe pertence há vários anos, não tendo o dono seguinte
procedido à actualização do registo de propriedade - também não é
por demais acentuada pelos efectivos da Divisão de Trânsito da PSP.
Para alguns
dos agentes contactados pelo PÚBLICO, a maior preocupação é a de
"convencer as pessoas" da necessidade de cumprir as regras. "A falta
de civismo, não só nas estradas, mas também na forma como se reage
quando há interpelação por parte dos agentes, é um problema grave e
que está longe de ser resolvido. Há uma manifesta falta de educação.
As pessoas mentem, não legalizam os veículos e, ainda por cima, têm
o triste hábito de culpar sempre a polícia", adiantou um oficial de
uma esquadra nas imediações de Lisboa.
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