NOTÍCIA

Diário Cidade Online, "Coesão social portuguesa em risco"

publicado a 21/09/2014

Coesão social portuguesa em risco

Um estudo indica que Portugal está na cauda da Europa não só na taxa de natalidade, mas também a nível das transferências do Estado para as famílias.

Portugal está na cauda da Europa não só na taxa de natalidade de 1.2 filhos por mulher, bem longe do 2.1 necessários para a reposição das gerações. Portugal está também na cauda da Europa nas transferências do Estado para as famílias, com 1,5% do PIB, contra 2,3% da média europeia.

Estas são as principais conclusões de um estudo apresentado ontem no VII Congresso Europeu das Famílias Numerosas, realizado pelo Gabinete de Estudos da APFN, baseado numa análise alargada e comparativa de 15 países europeus. De acordo com o estudo, este cenário conduziu a um défice atual de um milhão e 400 mil crianças, “uma difícil situação tendo em vista não só a sustentabilidade do modelo social português como também da própria coesão social”.

Em representação do primeiro-ministro, o secretário de Estado Pedro Lomba reconheceu “os infernos” pelos quais as famílias têm que passar, “mesmo em coisas tão simples como encontrar uma creche para os seus filhos”. O mesmo responsável frisou que “o governo lançou uma estratégia nacional para a natalidade, como corolário da liberdade e da justiça social” deixando a promessa de que “o governo saberá transformar em medidas concretas os vossos trabalhos e as vossas conclusões”.

Por sua vez, Clara Gaymard, presidente da GE France e mãe de nove filhos, referiu que, neste momento, “o que importa é tornar o futuro possível”, frisando que a sua opção de mãe e profissional só foi possível “pelo contexto francês de apoio abrangente às famílias, em especial as famílias numerosas”.

Já Livia Oláh, investigadora de demografia na Universidade de Estocolmo, apresentou os vários modelos de organização social da Europa, demonstrando que, em matéria de família, os países nórdicos e França são aqueles que, objetivamente, conseguiram manter padrões equilibrados de natalidade e coesão. Esses países registam um investimento importante nas políticas de família como um todo – natalidade, conciliação, sistema fiscal, abono de família, infraestruturas, etc.

Martin Werding, economista e consultor do governo alemão para as questões da Família, insistiu na urgência de se ter em conta que cada criança representa um investimento de retorno económico e social incontornável para a sustentabilidade global das sociedades.

O VII Congresso Europeu das Famílias Numerosas decorreu em Cascais, nos dias 19 e 20 de setembro, contado com a participação de centenas de pessoas, oriundas de 14 países europeus.