| Público OnLine, 2 Abr 2000
População: Associação de Famílias Numerosas critica
relatório das Nações Unidas
Fernando Castro, presidente da Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas (APFN) comentou ao ÚLTIMA HORA o relatório
das Nações Unidas sobre a necessidade de aumentar o número de
imigrantes face ao envelhecimento da população e à diminuição
da fertilidade. "É um perfeito disparate", disse.
"As Nações Unidas têm um descaramento
enorme em, como se não tivessem nada a ver com isto, dizerem
que há falta de gente, quando gastam enormes quantias de
dinheiro em campanhas antinatalistas", acusou Fernando
Castro, ele próprio pai de doze filhos.
A ONU revela uma "hipocrisia atroz" ao apresentar como
solução a "importação de imigrantes, como se estes
existissem no Continente ou na Makro", critica o presidente
da APFN - associação nascida em Abril do ano passado, por 196
fundadores, quase todos de orientação católica -, porque
"os incendiários da ONU andaram a apregoar que devíamos
combater a natalidade".
Para Fernando Castro, a ONU deve "reconhecer publicamente o
seu erro, dizer que se enganou ao fazer campanhas
antinatalistas". Segundo o relatório, a Europa vai
precisar do dobro da população imigrante actual para fazer
face às necessidades laborais e países como a Itália vão
precisar anualmente de 6500 imigrantes por milhão de
habitantes. Fernando Castro lembra que esta necessidade poderia
ser combatida com o nascimento de mais crianças, acrescentando
que "normalmente, os imigrantes não vêm sozinhos, mas com
as famílias".
A taxa de natalidade portuguesa actual é de 1,3 crianças por
mulher quando, segundo os dados da APFN, "o número necessário
para a renovação de gerações" é de 2,1 crianças. Além
disso, salienta Fernando Castro, o Instituto Nacional de Estatística
tem dados sobre fecundidade que indicam que as famílias
portuguesas têm um número de filhos inferior ao desejado.
A APFN considera que assim acontece porque as famílias que
querem ter filhos "não recebem o apoio necessário"
por parte do Governo e do Estado. "Se Portugal adoptasse
uma política que não prejudicasse as famílias numerosas,
nasceriam mais crianças", assegurou Fernando Castro,
exemplificando com os custos de consumo de água (mais caros
segundo o agregado familiar), o IRS (o que se deduz por cada
filho é "uma anedota em termos de apoio à família")
e os custos do ensino público. "Queremos alertar o Governo
para não seguir a hipocrisia da ONU", concluiu.
|