Nos últimos tempos, o Ministério das Finanças tem
brindado os portugueses com uma série de disparates,
que, pelos vistos, não param :
Redução do IVA nos croquetes, rissóis, pastéis de
bacalhau e SPA´s, uma medida de enorme alcance social,
mantendo o IVA de 21% nos bens de primeira necessidade
para as crianças, designadamente nas famosas e
obrigatórias cadeirinhas para o carro;
Redução do IVA geral dos 21 para 20%, continuando a não
isentar de IVA os bens de primeira necessidade para as crianças;
Aumento da dedução do IRS para as crianças apenas
até aos três anos de idade;
Exigência de entrega de recibos de festas de casamento
(seguem-se bodas de prata, bodas de ouro, baptizados, despedidas
de solteiro e aniversários?);
Lançamento do imposto de circulação sobre viaturas já
vendidas pelos antigos proprietários e sem forma de
comprovar a sua venda, uma vez que a mudança de registo é da
responsabilidade de quem compra.
Fiel à linha do disparate que, pelos
vistos, se comprometeu a seguir, e mais parecendo ser uma
partida do 1 de Abril, anuncia agora um limite máximo
de dedução das pensões de alimentos pagas, quando o problema
reside, exactamente, no limite de 6000 EUR de quem recebe.
Se uma pessoa paga imenso de pensões de
alimentos, só deve ser apoiado e, obviamente, todo o valor que
paga deverá ser deduzido ao rendimento, como, de facto,
acontece: se pagou a pensão, ficou sem esse rendimento, não é? Vai pagar
IRS sobre o que deixou de ter?
Pelo contrário, não faz qualquer sentido que, quem
recebe, possa deduzir até ao máximo de 6000 EUR, o que não acontece com
outros tipos de rendimento. Se recebe, porque é que pode deduzir mais
do que outros que têm outros tipo de rendimento? Faz algum sentido?
É por isso mesmo que a APFN, juntamente com muitas
outras associações de família, tem vindo a reclamar (e tem uma petição
na internet em
http://www.forumdafamilia.com/peticao/) no
sentido de a dedução de 6000 EUR por filho que todos os pais,
com excepção dos casados ou viúvos, podem fazer, passe a ser de
3000 EUR para todos independentemente do seu estado civil. Faz algum
sentido discriminar-se em função de algo que o Governo diz que não serve
para nada? Ou será que os Srs Ministros não falam uns com os outros nem
lêem nos jornais o que o PM e os colegas apregoam?
Apesar de estas medidas postas em prática pelo
Ministério das Finanças provarem à sociedade que o ridículo não
mata, a APFN sugere a quem de direito que imponha um
nível mínimo de bom senso neste importante sector da governação.
1 de Abril de 2008
APFN - Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas
Rua 3A à Urbanização da Ameixoeira
Área 3, Lote 1, Loja A
1750-084 Lisboa