No próximo dia
12 de Dezembro, pelas 14:30, na sala SDM 23, vai realizar-se em
Estrasburgo uma sessão especial do Intergrupo da Família
e Protecção da Criança do Parlamento Europeu, a
propósito do Ano Europeu para a Igualdade de
Oportunidades e sob o tema "A situação das
famílias numerosas".
Haverá
intervenções da Comissão Europeia, da ELFAC - European Large
Families Confederation, investigadores e representantes da
sociedade civil.
Pelas 10:00
horas do mesmo dia, a ELFAC será recebida pelo Comissário
Europeu Spidla, responsável pelos Assuntos Sociais.
Nessa sessão,
Fernando castro, presidente da ELFAC, apresentará o trabalho que
se anexa, de que se salientam os seguintes pontos (explicação
mais detalhada, gráficos e referências no anexo):
1 - A Europa
encontra-se perante um grande desafio demográfico, na
generalidade aceite como resultante de:
Aumento da
esperança de vida;
Enorme queda na
taxa de natalidade, devido a:
Crescente
participação das mulheres na vida profissional e
responsabilidades públilcas.
Mas, também,
Parentalidade e responsabilidades familiares não são vistas
como "trabalho", com excepção das "famílias de acolhimento";
As
políticas são fundamentadas no que a maioria das pessoas (nomeadamente
mulheres) pensam e em "médias", nomeadamnte a taxa média de
natalidade na Europa.
2 - No entanto, uma
análise mais detalhada mostra que:
O número médio
de filhos desejados na EU15, por parte das mulheres entre os 24
e 35 anos, é 2.1, bem acima dos actuais 1.5, e, também,
exactamente igual aos necessários 2.1;
O número de
mulheres que desejam ter três ou mais filhos é bem superior às
que desejam ter apenas um ou nenhum;
A grande
maioria deseja ter dois ou menos;
A média de 2.1
é obtida porque existe uma minoria (25%) que deseja ter três ou
mais, ie, se esta minoria de mulheres for livre de ter os filhos
que desejam, o desafio demográfico será vencido. O oposto também
é verdadeiro.
Como é
evidente, para que estas mulheres sejam livres de terem os
filhos que desejam, e de que a UE necessita e deseja, é
necessário que sejam escutadas, em vez de se escutar apenas a
maioria das mulheres que desejam ter dois ou menos filhos.
3 - Olhando para a
taxa de natalidade nos países europeus,
Não existe um
único país europeu em que a taxa de natalidade seja igual à
desejada, o que significa que não são dadas oportunidades
suficientes às mulheres que desejam ter filhos
Existem enormes
diferenças neste domínio de país para país, revelando que as
oportunidades para se ter filhos variam bastante de país para
país dentro da mesma comunidade europeia;
A percentagem
do necessário aumento de taxa de natalidade varia desde apenas
5% em França para mais de 50% em mais de metade dos países
europeus;
Seis dos países
europeus (entre os quais Portugal) não estão a prestar nenhuma
atenção à dramática baixa taxa de natalidade, uma vez que o
índice sintético de natalidade é inferior a 1.4 e continua a
cair. Isto não quer dizer que não estejam a fazer nada, mas,
apenas que, se tomaram algumas medidas, são ineficazes,
provavelmente por estarem a ser promovidas pela maioria que quer
ter dois filhos, um ou nenhum.
4 - Pontos
importantes no que diz respeito à falta de igualdade de
oportunidades às famílias numerosas na Europa:
As mulheres não
são livres de terem os filhos que desejam, em particular as que
querem ter três ou mais;
A oportunidade
de terem os filhos que desejam varia de país para país na UE;
A
dramaticamente baixa taxa de natalidade irá ter um grande
impacto negativo na economia europeia e, consequentemente, no
bem-estar dos europeus;
O facto de uma
minoria de mulheres não ter o direito de ter os filhos que
desejam é um problema, não apenas para as poucas famílias
numerosas, mas, também, para toda a população e sociedade
europeias.
5 - Questões que
afectam as famílias europeias (sobretudo as que têm três ou mais
filhos):
Vários produtos
de primeira necessidade para as crianças não são taxados com IVA
reduzido. Mesmo produtos de uso obrigatório, como é o caso das
cadeirinhas para o automóvel, pagam IVA a taxa normal.
A parentalidade
não é vista como "trabalho" e esse tempo não é considerado para
o cálculo da pensão da reforma, em oposição ao que acontece com
as "famílias de acolhimento";
As deduções
fiscais por descendentes são ridículas em vários países, como é
o caso português;
Em alguns
países europeus, os abonos de família sofrem uma grande redução
a partir dos três anos de idade, precisamente quando aumentam as
despesas;
Em muitos
países europeus, não é considerada a opinião e sugestões das
famílias numerosas, sendo a política de família definida pela
maioria que quer ter apenas dois filhos, um ou nenhum;
As mulheres que
desejam ter três ou mais filhos são fortemente pressionadas para
não os ter, nomeadamente no segredo das consultas nos serviços
de saúde;
Em alguns
países, os pais casados ou viúvos são fortemente penalizados a
nível fiscal, comparativamente com os pais solteiros, separados
ou divorciados.
6 - Pelo que acima
se enumera, podem ser retiradas as seguintes conclusões:
As famílias
numerosas são a única chave para o futuro demográfico da Europa,
que tem o seu desempenho económico a médio e longo prazo
fortemente comprometido;
Existem enormes
diferenças de oportunidade para famílias numerosas entre os
países da UE;
Metade dos
países europeus necessita de aumentar a taxa de natalidade em
50%. No entanto, alguns não estão a levar este assunto a sério,
e a taxa de natalidade continua a baixar.
As autoridades
europeias necessitam de ter um discurso mais forte relativamente
a estes países, em que Portugal está incluído;
Mesmo os países
com taxa de natalidade mais elevada deverão melhorar o apoio às
famílias numerosas, pelo menos até que a taxa de natalidade seja
igual à "desejada", reconhecendo às mulheres o direito de terem
os filhos que desejam;
As associações
de famílias numerosas deverão ser escutadas sobre a política de
família a ser adoptada, para que a minoria das mulheres que
desejam ter três ou mais filhos sejam livres de os ter, sustentá-los
e educar.
7 - A única solução
para se vencer o Inverno demográfico consiste em apoiar as famílias
a ter os filhos que desejam, principalmente as que desejam ter três
ou mais. A ELFAC está pronta para ajudar as autoridades europeias
nesta missão, designadamente fornecendo uma equipa de até cinco
especialistas para trabalhar durante cinco anos junto do Parlamento
Europeu e/ou Comissão Europeia.
11 de Dezembro de 2007
APFN - Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas
Rua 3A à Urbanização da Ameixoeira
Área 3, Lote 1, Loja A
1750-084 Lisboa