Fim da equiparação do casamento religioso ao civil
Exmos Senhores
Líderes religiosos em Portugal
1 - Destinatários desta Carta Aberta
Esta carta aberta é dirigida aos líderes das
confissões religiosas em que o casamento por elas celebrado é,
automaticamente, equiparado ao casamento civil , tornando
impossível aos noivos decidirem apenas casar-se religiosamente e
manterem o estado civil de solteiro. Para tal, terão que se deslocar a
uma Conservatória do Registo Civil e mudarem para o estado civil de
separado ou divorciado, não podendo, pela lei portuguesa, ficar com o
estado civil de solteiros.
2 - Motivos/histórico
O casamento, acto formal da união de homem e mulher para
a constituição de uma nova família, foi visto por várias culturas como
um instrumento muito importante para a solidificação da sociedade, dado
os efeitos benéficos da estabilidade conjugal na educação dos
filhos resultantes dessa união .
Diversas religiões, por outras razões resultantes da sua
fé, também dão bastante importância a este acto.
Daí que é natural que tenham sido
celebrados acordos entre confissões religiosas e Estados para que a
celebração do casamento religioso seja reconhecido como casamento civil
por esse Estado, evitando-se que os noivos tenham que celebrar
os dois casamentos separadamente.
Ora acontece que, nas últimas dezenas de anos,
o Estado português elegeu o casamento civil como instituição a
eliminar (porque não pode eliminar o casamento religioso),
fazendo com que este não tenha mesmo nada a ver com o casamento
celebrado religiosamente.
Para isso, o Estado português fez/tem feito o seguinte:
Esvaziou a instituição do casamento de todo o sentido,
liberalizando, facilitando e vulgarizando cada vez mais o
divórcio e equiparando a ele as uniões civis mesmo entre pessoas
do mesmo sexo, usando o argumento da "igualdade";
Criou inúmeras vantagens para os não-casados,
que têm vindo a ser denunciadas publicamente sem qualquer
sucesso nem eco por parte de qualquer força política com assento
na Assembleia da República ou seja, por parte de todos os
governos actuais e passados, assim como futuros.
Até agora, a maior vantagem consistia em permitir apenas
aos não-casados uma dedução fiscal de até 6000 Eur por filho, já objecto
de petição ao presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro
e Ministro das Finanças, sob a iniciativa de várias associações de
família sob a designação de Fórum da Família (
Na passada semana, o Primeiro-Ministro anunciou
nova iniciativa contra os pais casados, ao aumentar em
20% os abonos de família para as famílias "monoparentais", sob
a capa sem qualquer sentido de "luta contra a pobreza" e "incentivos
à natalidade".
Ora, "famílias monoparentais", ao abrigo da lei, são
todas aquelas em que os pais não estão registados como casados,
podendo, na prática, viver juntos, uma vez que o
Governo nunca irá fiscalizar se isso acontece ou não. Tal seria uma
inconcebível violação da privacidade que, julgamos, nem a ASAE se
lembrará de fazer apesar de a família ser a unidade económica mais
antiga da História humana.
Por estes motivos, vários casais têm optado por
se casar em Espanha (e estes conseguem manter-se registados
como solteiros) ou por se separarem, mas ficam com o
estado civil de SPB (separados de pessoas e bens) embora não vivam nem
se sintam como tal. Será natural que possam, perante a lei civil, ficar
exactamente em igual situação dos outros, isto é, solteiros, mas em "união
de facto", podendo, como os outros, apresentar-se como melhor lhes
convier nas diferentes circunstâncias, isto é, unido ou solteiro,
sem sofrerem as penalizações a que os casados são sujeitos.
3 - Conclusão/solicitação/recomendação
Pelo atrás exposto, respeitosamente sugerimos/recomendamos
que o casamento religioso deixe de implicar o casamento civil,
devendo os noivos efectuar os dois registos separadamente caso
seja essa a sua vontade, podendo, assim, em liberdade, optar
por manter-se solteiros civilmente.
Para além de passar a ser respeitada a liberdade
de escolha dos noivos, esta medida também terá a vantagem de
deixar de confundir os noivos, uma vez que aquilo a que se chama casamento
civil em Portugal já não tem qualquer semelhança, quer
na forma quer no fim, com o casamento entendido por qualquer das
confissões religiosas em que existe este acordo com o Estado.
2 de Fevereiro de 2008
APFN - Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas
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