A APFN tomou conhecimento de existir um pacote de 12 programas
para a eficiência enérgica preparado pelo ministro Manuel Pinho, que
inclui prémios e castigos para os consumidores domésticos de
electricidade em função do consumo de cada casa, havendo algumas
cláusulas especiais para famílias com mais de dois filhos.
Embora a APFN não conheça a totalidade do pacote de
Manuel Pinho, cumpre-nos, desde já, tecer os seguintes comentários:
1 - De novo, lamenta que, tendo o governo constituído um
Conselho Consultivo das Famílias, de acordo com o determinado no artigo
67 da Constituição da República Portuguesa, para o qual convidou as
entidades que, na sua opinião, serão os melhores parceiros para a
execução de uma política de família, mais uma vez este Conselho não
tenha sido consultado sobre esta medida.
2 - A APFN tem as maiores reservas sobre a eficácia de
uma medida destas uma vez que, à semelhança do que também já se passa
com o consumo da água, o consumo doméstico é uma parcela muito pequena
da totalidade do consumo nacional, em que o consumo por parte de
instituições públicas, entre outras, é uma parcela bastante importante.
3 - Não parece lógico que este regime distinga apenas
entre famílias com dois ou menos filhos e famílias com mais de dois.
Deveria, sim, ser simplesmente em função do consumo per capita (quer
sejam filhos ou não), uma vez que um casal com dois filhos terá,
naturalmente, um consumo 4 vezes superior ao de uma casa com apenas um
habitante, do mesmo modo que uma família com 10 pessoas tem o dobro do
consumo de uma família com apenas 5 elementos.
4 - A APFN solicita que Manuel Pinho apresente aos
portugueses os estudos que fundamentam os 12 programas do seu pacote, em
que sejam quantificados, parcelarmente, os benefícios que daí advirão, a
fim de que possam julgar da bondade do anunciado.
24 de Fevereiro de 2008