NOTÍCIA
Papel Online, "A Mãe de todos: "Viver com menos plástico e mais afecto""
publicado a 21/03/2013
A Mãe de todos: "Viver com menos plástico e mais afecto"
“Mãe de todos, fura-bolos, mata-piolhos e seu vizinho”. Para a mnemónica infantil desta família ficar completa, falta o João e a Julieta, os últimos dois filhos de Ana e Paulo, que se juntaram aos outros dois Tiago e Teresa. Ana Custódio e o marido são quem dirige o barco destes quatro pequenos marinheiros, com boa-disposição, alguma organização e muito, muito amor. Numa altura em que as famílias vêem os orçamentos familiares a diminuir, a natalidade é um dos factores de reflexão nos casais. Nas famílias numerosas, o orçamento é sempre pouco, mas as coisas arranjam-se. No caso de Ana, que contribui para o sustento da casa com os seus Mimalhos – bonecos artesanais que materializam desenhos de crianças -, não é a troika quem manda no seu corpo e no seu desejo de ter uma família grande. Hoje, a Papel voa até ao Algarve, para conhecer o dia-a-dia de uma família de seis.
Podes apresentar-te a ti e a tua família?
Eu sou a Ana, casada com o Paulo, e mãe de 4 filhos, o Tiago (8 anos), a Teresa (5 anos), o João (3 anos) e a Julieta (2 anos).
Como é ter uma família grande?
Para ter uma família grande, é preciso muita energia, que às vezes também falha mas vamos dando a volta. É pensar que a hora do banho é uma linha de montagem, que o colo tem que dar para todos, a mesa das refeições tem de ser grande, sair de casa é mesmo uma aventura, que é raro haver silêncio, que ora brigam uns ora brincam outros… Mas também que as gargalhadas são multiplicadas por quatro, os sorrisos, as alegrias, as conquistas! É tudo em maior quantidade!
Como é que as vossas famílias foram recebendo a novidade das tuas quatro gravidezes?
Da primeira e da segunda foi com naturalidade, afinal de contas a tradição “manda” que um casal feliz tenha um casalinho de filhos. Quando foi do terceiro foi com alegria mas com alguma preocupação, três já é considerado loucura hoje em dia. Quando foi a quarta voltaram à naturalidade, assim como assim, quem tem três tem quatro!
Foi sempre uma decisão pacífica do casal?
Entre nós foi sempre pacífico, natural e com alegria, mas com consciência da responsabilidade.
Pensas que a crise económica está a afectar o nascimento de mais crianças?
Penso que sim, a palavra crise assusta e as pessoas pensam que ao evitar mais um filho evitam a crise… e não é assim. Eu penso que é uma questão de escolhas, de prioridades e de responsabilidade. Naturalmente que mais uma criança acarreta mais despesas, mas essas despesas dependem das escolhas que se fazem, com roupas, fraldas, actividades…
E vocês, enquanto casal, como arranjam tempo para namorar?
Neste aspecto temos falhado e estamos agora a reparar isso, talvez porque foram seis anos para quatro filhos e, por isso, a nossa vida centrou-se nos miúdos. Durante o dia temos sempre alguns momentos a sós, pois eu trabalho em casa e o Paulo trabalha mais na parte do fim de tarde/noite.
Para saídas a dois, agora já conseguimos deixar dois a dois nos avós e aproveitar para sair.
Como gerem o orçamento familiar?
O orçamento, naturalmente nesta altura de crise, é apertado, mas nós fomos fazendo escolhas já há alguns anos e assim tem sido suave esta passagem pela crise.
Por exemplo, actividades pagas neste momento não fazemos, mas os miúdos têm desporto, dança, música, tudo na escola pública. Aproveitamos para fazer passeios e actividades que sejam gratuitas, esta é uma ideia que muitas pessoas esquecem.
Em questão de roupas passa tudo naturalmente de uns para os outros e para amigos, temos uma rede montada que consegue entre vários casais vestir várias crianças, é outra dica que fica.
Na alimentação fazem-se escolhas saudáveis mas em conta, da horta do avô também chegam alguns alimentos.
Nas despesas fixas, casa, água, luz e gás não dá para cortar muito mais, mas com estas já nós contamos há muito!
Que conselhos darias a quem está a pensar aumentar a família e tem receio de como é a vinda de um irmão?
Acima de tudo, penso que tem que haver disponibilidade pessoal mais do que financeira para a vinda de outra criança.
Para as crianças, acho que é uma alegria ter irmãos e uma grande aprendizagem. Seria bom que as crianças hoje em dia pudessem aprender ou reaprender a partilhar, a viver com menos plástico e mais afecto, a valorizar menos as coisas materiais e mais os pequenos grandes nadas do dia-a-dia.
O que esperas para os teus filhos?
Sinceramente espero que sejam felizes.
