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i Online, "Famílias numerosas emigradas ajudam outras que pretendem sair do país"
publicado a 25/04/2014
Famílias numerosas emigradas ajudam outras que pretendem sair do país
"Nós acreditamos que há uma solução e continuaremos a trabalhar no sentido de dar o nosso contributo positivo para a resolução desse problema", frisou
Muitas famílias numerosas estão a emigrar e a recorrer à ajuda de outras que já o fizeram para encontrar emprego no país de acolhimento, disse à Lusa a secretária-geral da associação que representa estas famílias.
"O desemprego numa família numerosa é particularmente grave" e "temos já várias famílias que estão a emigrar", disse Ana Cid, que falava à agência Lusa a propósito dos 15 anos da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), que serão assinalados no sábado.
Para as ajudar, a associação tem procurado que outras famílias já emigradas "apoiem as que pensam partir e as ajudem a perceber, em cada um dos países, quais os apoios que podem ter e conseguir".
"Nalguns casos, já foi possível conseguir que famílias apoiassem outras na procura de emprego local", adiantou Ana Cid.
A responsável contou que há casos em que emigra apenas a mãe ou o pai, "mas há muitos casos em que emigra a família toda".
"Elas partem com a perspetiva de um dia poderem voltar", disse, comentando que a emigração é uma "experiência interessante, mesmo para os filhos", mas se for "uma opção e não uma obrigação".
Falando sobre o trabalho realizado pela associação, Ana Cid disse que luta é tentar conseguir que haja em Portugal "uma verdadeira liberdade para cada família conseguir ter o número de filhos que deseja".
Lembrou que a associação nasceu com "o objetivo de identificar e tentar remover a forma como as famílias com filhos são prejudicadas em Portugal".
Já na altura, a associação identificou a existência de "um problema demográfico crescente" e constatou "várias penalizações" de que as famílias numerosas são alvo.
"Nestes anos de trabalho", contou, a associação tem "procurado conseguir junto de empresas, através de parcerias, do Estado e das autarquias, um conjunto de medidas que possam dar liberdade às famílias para ter o número de filhos que desejam ter".
Mas nos últimos anos, o contexto tem-se tornado "cada vez mais difícil" devido à situação económica do país e ao elevado nível de desemprego.
Além disso, sublinhou Ana Cid, houve "um conjunto de medidas e de políticas que também veio reforçar a forma como as famílias com filhos são penalizadas em Portugal", nomeadamente a retirada ou diminuição dos abonos e o aumento da carga de impostos.
Contudo, salientou, "já há um despertar" para o problema demográfico e algum trabalho, sobretudo das autarquias, para "alterar o atual panorama" a curto prazo.
"Só é possível agir sobre este problema [quebra da natalidade], identificando-o e reconhecendo-o como um problema", o que já está a acontecer com a colocação do tema na agenda política.
"Nós acreditamos que há uma solução e continuaremos a trabalhar no sentido de dar o nosso contributo positivo para a resolução desse problema", frisou.
A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas realizou em 2009 um estudo em que se concluiu que os portugueses desejavam ter, em média, 3,1 filhos quando estão a ter 1,2.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
Agência Lusa
