NOTÍCIA
Regional.pt, "Famílias numerosas querem equidade nos serviços básicos e fisco"
publicado a 02/05/2014
Famílias numerosas querem equidade nos serviços básicos e fisco
Santa Maria da Feira
"O preço da água, da luz e da energia deviam ter em conta o número de filhos de cada família", consideram Antero Vasconcelos e Marisa Barbosa, um dos casais que festejou o 15.º aniversário da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas APFN, no Zoo de Lourosa, Feira."Não consumimos mais água ou energia que outras famílias por qualquer exagero ou mau uso. Gastamos mais porque temos mais filhos", explica o casal de Perosinho, Gaia, com três filhos.
E alertam, ainda, para a alegada nulidade dos designados benefícios fiscais que, dizem, pouco efeito reflectem nas contas. "Só a partir do quarto filho é que se sente alguma diferença, com menos filhos somos penalizados", disseram.
"Como é possível falar-se em incentivar a natalidade e ao mesmo tempo fecham as creches às seis horas, antes dos horários laborais", questiona, por seu lado, Fernando Lopes, 35 anos, pai de cinco filhos.
Também o acesso ao sistema de saúde merece reparos. "As taxas moderadoras deviam ser revistas. Os meus filhos ainda são pequenos, mas dentro de alguns anos deixam de ter qualquer benefício", lembrou.
Ideias resumidas pela secretária geral da APFN, Ana Cid. "Não é preciso incentivar a natalidade. É preciso é que não se prejudique quem quer ter filhos", considerou.
"Quem tem um filho já é prejudicado e quantos mais tiver mais é prejudicado", afirma a representante dos pais.
Ana Cid diz que a baixa taxa de natalidade "é um problema que tem solução". Mas, acrescenta: "é preciso haver mais equidade e igualdade de tratamento fiscal, na saúde e habitação".
"Não queremos benefícios, queremos é que não compliquem a vida a quem quer ter mais filhos. E as pessoas querem ter mais filhos", disse.
Rita Gonçalves - Lousã, Coimbra - 35 anos - Mãe cinco filhos
"Temos que fazer muitas opções, porque só há uma fonte de rendimento. Por vezes temos que dizer não e isso é muito difícil".
Antero Vasconcelos - Perosinho - 39 anos - pai três filhos
"Também sentimos a crise, mas como temos trabalho os dois vamos conseguindo fazer frente às dificuldades".
Existem em Portugal 250 mil famílias numerosas. Ou seja, que têm três ou mais filhos. Em 2007, representava 7% das famílias, mas actualmente não passam de 4,4%.
A associação representa cerca de 6 mil famílias, mais de 40 mil pessoas.
