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Plano + Família
i online, 'Não são sermões sobre a vida íntima', Miguel Pacheco publicado a 28/12/2009

Não são sermões sobre a vida íntima
Miguel Pacheco

O Labour inglês passou uma década a defender que a prioridade na família eram as crianças. Ontem assumiu que deviam ser os pais

"Não são sermões às pessoas sobre a vida íntima. É um enorme problema social. Eu sou um homem moderno, governo um país moderno e isto é uma crise moderna." Todas as políticas deste Governo, continuava Tony Blair numa mensagem aos trabalhistas em 1997, "serão dissecadas para avaliar de que forma afectam a vida familiar". Não foram. Durante os dez anos que se seguiram, o Labour - a grande fonte liberal onde o PS bebeu - concentrou- -se nas crianças. Passou cheques-bebé de centenas de euros, puxou pela natalidade como a solução para a solvência do Estado, aumentou as licenças parentais para garantir que os filhos cresciam saudáveis. Soa a familiar? Os dois últimos governos socialistas fizeram parecido, nas políticas e no alvo. Com bons resultados - e legislação onde antes não existia -, mas com o mesmo foco nas crianças.

Agora, o Labour admite que esse foco estava errado. Disse- -o ontem, ao anunciar um novo livro verde para as famílias. "Chegámos à conclusão de que falávamos quase sempre das crianças e nos esquecíamos dos pais. As relações entre adultos também são importantes", confessa o responsável trabalhista para a área (Zoom nas páginas 16 a 19).

Para o Labour, o caminho para as próximas eleições passe por políticas que travem a desagregação familiar. Como? A partir de 2011, as crianças com mais de sete anos de idade vão aprender a importância "do casamento e de relações estáveis para a vida familiar". O Estado também vai subsidiar os conselheiros matrimoniais. E haverá medidas para evitar a desagregação dos casais nas semanas a seguir ao nascimento. Tudo medidas 'by Brown', ainda que Brown seja um líder desesperado - e muitas desta ideias não passem, para já, de tiros no escuro. Mas o problema de Gordon é também o enigma de Sócrates. Hoje, Portugal gasta 1,2% do seu PIB em políticas de apoio à família - 2,2 mil milhões de euros. É pouco, face à média europeia, e esse pouco está ainda centrado no apoio à natalidade como eixo principal. Faz sentido: mais creches, mais dinheiro por filho e mais benefícios fiscais são incentivos necessários num país com uma curva de natalidade descendente. Mas parece insuficiente falar apenas dos filhos quando a estabilidade dos pais também é parte importante do problema.

Cabe ao Estado regular a vida íntima? Não. Cabe-lhe incentivar, sem excessos dogmáticos, novas políticas de apoio que respondam ao desafio crescente que é ter só um pai ou dois separados. Parece paternalismo? Não é. Não são sermões sobre a vida íntima. O exemplo inglês é útil porque não discute o que é casamento. Não mistura religião. Não debate a sexualidade conjugal. Não discrimina as uniões de facto. Hoje, o conceito de família é mais fluido, menos preso à ideia de que só duas pessoas em conjunto, de sexos diferentes, conseguem dar estabilidade. E para novos desafios, novas políticas. O novo Labour foi à direita buscar um tema que andava fugido das prioridades políticas. Seria bom se, por cá, fizéssemos mesmo.



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