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Falsa equidade
Como muitos se recordarão, foram publicados
recentemente, nos jornais diários da capital, anúncios da EPAL, informando quais os
novos preços de venda da água em 1999, na área de Lisboa. O preço do m3 de água varia
em função do escalão de consumo, sendo relativamente barato no 1º escalão (consumos
de 1 a 5m3), quadruplicando o preço no 2º escalão (6 a 15m3) e quintuplicando no 3º
escalão (superior a 15m3), respectivamente 22$80, 82$30 e 104$20 por m3.
Aparentemente, nada mais justo e razoável!
A água, o precioso líquido, é um bem escasso que há que poupar;
assim quem desperdiçar água ou tiver consumos excessivos ou sumptuários terá que a
pagar a preços muitos superiores.
Contudo... Contudo isto só seria verdade se ás "unidades
de consumo", os agregados domésticos, tivessem necessidades semelhantes.
Ora todos sabemos que há habitações só com um ocupante, há muitas famílias sem
filhos e há famílias com filhos... e com muitos filhos. E por vezes ainda com
ascendentes e/ou outros membros de direito no agregado familiar. Ou seja, quem tem
uma família numerosa não só gasta naturalmente mais água lá por serem muitos
não devem deixar de ser asseados... como a irá pagar, por virtude do escalão de
consumo, a um preço por m3 mais caro!
O que parecia ser justo e razoável, torna-se assim em algo de
penalizador para os grandes agregados familiares, já com tantos encargos e que mereceriam
antes preços especiais, mais reduzidos! Será que a Administração da EPAL não
sabe que existem famílias com muitos elementos vivendo o seu dia a dia de dificuldades
mas prezando, como outras, hábitos de higiene e limpeza? Ou talvez não se
tenham apercebido que as famílias numerosas existem... que ainda existem. E, se calhar,
alguma culpa é destas.
É que nesta sociedade mediática do fim do século, quem
não se faz ouvir não existe! Ora aqui está, digo eu, mais uma boa razão
para me juntar a outras famílias numerosas numa Associação que se faça ouvir e que
recorde que estas famílias existem e devem ser apoiadas e não
discriminadas ou penalizadas.
Eu sei que a questão do preço da água da EPAL não passa...
de uma gota de água! Mas serviu para ilustrar a situação real, ou seja, a penalização
frequente, em termos económicos, das famílias numerosas. E a necessidade de estas
se organizarem para se fazerem ouvir e defenderem os seus legítimos direitos.
A.F.
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