CRIANÇAS EM RISCO NA
FAMÍLIA
UMA PARCERIA APFN/
MDV + CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DAS GALINHEIRAS,
APOIADA PELO IDT
Há um ano o MDV e a Apfn deram os
primeiros paços no início dum trabalho em parceria cujo objectivo era
a intervenção em famílias com crianças em risco por negligência, maus
tratos, abuso, etc..
O IDT, no âmbito do Programa Quadro Prevenir II, aprovou uma
candidatura apresentada pelo MDV para, em conjunto com a APFN, apoiar
as famílias que o Centro Social indicasse e que aceitassem fazer um
trabalho conjunto com uma Assistente Familiar no sentido de se
alterarem as condições que colocam em risco as crianças nelas
existentes.
A localização da sede da APFN definiu a zona da intervenção e depois
de vários contactos ficou definido que a instituição local que faria a
ponte com a comunidade e o encaminhamento das famílias a serem
acompanhadas, seria o Centro Social Paroquial das Galinheiras.
Este Centro Social, como tantos outros que encontramos espalhados pelo
país, tem um papel fundamental no apoio às populações mais
desfavorecidas em diversas valências, nomeadamente creche, jardim de
infância e ATL, distribuição de alimentos, etc., o que lhe dá o
conhecimento e o contacto com elevado número de famílias e as
problemáticas por vezes muito complicadas que algumas têm.
No âmbito do departamento de Desenvolvimento Conjugal e Familiar o
MDV tem em funcionamento desde há alguns anos um programa de
intervenção em famílias com crianças que estão em risco pelas
circunstâncias concretas em que vivem. Este programa teve a sua origem
nos Estados Unidos e tem vindo a ser adaptado à nossa realidade desde
1997 com o nome de Projecto Família.
O projecto que foi aprovado e iniciado em Outubro de 2002 terá a
duração de dois anos e até agora já foram acompanhadas cerca de 15
famílias.
As problemáticas que apresentaram eram diferentes em todas elas pelo
que foi exigida uma intervenção específica para cada caso, tal como é
previsto na actuação do Projecto Família.
Casos como abuso de álcool em duas famílias, prostituição noutras
duas, violência doméstica, negligência, desemprego foram algumas das
situações encontradas pelas Assistentes Familiares e que colocavam em
risco as cerca de 40 crianças existentes nestas famílias.
Após a intervenção realizada conseguimos que as situações se
alterassem na grande maioria dos casos através do trabalho intensivo
de cerca de 20 horas semanais em casa de cada uma durante 6 semanas.
Mais uma vez constatámos que a mudança é possível se acreditarmos na
capacidade de mudança de cada pessoa e com cada uma construirmos
objectivos realistas e a cada uma ajudarmos a concretizá-los.
No final de cada intervenção foi feita por cada família uma avaliação
dos progressos realizados e dos objectivos atingidos e em todos os
casos se verificou que alguma coisa se alterou no funcionamento de
cada uma família.
No entanto elas não ficarão desamparadas uma vez terminada esta
intervenção intensiva porque é feita pela Assistente Familiar que
acompanhou a família, uma visita de follow up a cada uma delas 1 mês,
3 meses, 6 meses e 1 ano depois de terminada a intervenção na família.
Assim é possível continuar a apoiar à distância e ajudar a manter a
mudança que se tinha já registado.
Ao fim de 1 ano de trabalho é gratificante constatar que houve
alterações e que para algumas crianças foi eliminado o risco em que se
encontravam, mas é simultâneamente angustiante verificar o número
elevadíssimo de crianças que precisava de ajuda e os meios de que
dispomos para responder a quem pede ajuda.
Continuaremos certos de que sendo forçosamente limitados na nossa
acção é possível aos poucos ir transmitindo esperança a pessoas que a
tinham perdido há muito!
Lisboa, 19 de Outubro de 2003
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