Dia a Dia de uma Família

O dia começa às 6:45, em 15 minutos aquece-se o almoço nos 6 termos, colocam-se nos respectivos cestos com a fruta e um miminho (um guardanapo do piupiu, uma gelatina com bolinhas,...) para que o almoço seja um momento de prazer. Seguem-se os lanches nas mochilas e os biberons e papas para que o pequeno almoço seja partilhado em família. As fardas do colégio penduradas nos cabides e os sapatinhos em fila já foram preparados de véspera para que em tempo record seja possível sair de casa sem grande stress. A viagem para os colégios e sempre animada com alguma música e uma grande conversa sobre o programa do dia. A chegada à escola é sempre acompanhada pelo pai ou pela mãe alternadamente que levam cada uma das crianças à respectiva sala onde se vêem os últimos trabalhos realizados e se trocam algumas palavras com as educadoras.
O adeus é sempre quente e às vezes com uma lágrima no canto do olho. A corrida começa, cada um para seu lado, na correria do trabalho e um sem número de tarefas e decisões que preenchem cada minuto do dia até à exaustão. Na absorção intensa do trabalho reside sempre aquela angústia e divisão, de conciliar estas duas tarefas que cada uma per si exige tanto em dedicação e tempo. Se por um lado o sentido da responsabilidade em que fomos educados, prende-nos horas a fio na luta de uma carreira promissora, por outro lado uma tarefa bem mais importante e insubstituível- a da família e educação dos nossos filhos - fica coxa pela falta de tempo e alguma indisponibilidade interior após um dia desgastante. Quantos ben-uron tornaram reuniões possíveis de acontecer para que alguns projectos não falhem nas empresas em detrimento de uma cama aconchegante e uma mãe disponível para contar aquela história há dias prometida, que tão bem sabia neste dia mais mal disposto.
Será que vale a pena? Se olhar para este desenho não tenho dúvidas em responder com as palavras que nele transparecem: “mãe e pai, para nós são os mais importantes. A nossa vida gira à vossa volta e somos exactamente aquilo que nos sabem ensinar e o tempo que nos dedicam”.
Insubstituíveis somos apenas para os nossos filhos. Horas perdidas na infância deles jamais serão recuperadas noutros tempos. Nas empresas, por mais brilhantes que sejamos, somos o empregado x que produz y até ao dia que somos substituídos por alguém mais brilhante.
As alternativas não são muitas pois a nossa sociedade ainda não está preparada para apoiar/incentivar a que a família volte a ser o que era no tempo das nossas avós. Uma mãe sempre disponível, o cerne da estabilidade e afectividade da família. Mas quando as alternativas não se encontram estruturalmente disponíveis, não é motivo para não sermos nós a procurá-las, pois o esforço será sempre reconfortante. É preciso é começar, e assim lanço o desafio a todas as mães que como eu, mesmo tendo carreiras profissionais aliciantes e promissoras, parem e leiam nas entrelinhas da vida dos vossos filhos, o que de mais fantástico tem o ser Mãe a Tempo Inteiro. Vale mesmo a pena tentar.

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